Sexta-feira, Julho 03, 2009

Terceiro dia, e contando...



Refeições e discussões fartas. República Cênica, Couve-flor, Núcleo do Dirceu, Sua Cia, Dimenti e Lugar Comum. É bom chegar de manhã e se jogar num chão de tapetes, pufes e travesseiros, com cabeças, penteados e pensamentos diferentes. São muitos oxentes, vixis, leitê quentê faz mal pro dêntê, bem aís e afins se entrecruzando em Recife.

E dessa mistura toda, por mais que as respostas e resoluções definitivas sejam inexistentes, as interrogações saltam de lá pra cá o tempo todo pela sala. Estratégias de Marketing ou mudança de estratégia – o que faz a diferença para se formar uma platéia? O que é formar uma platéia? Não seria uma idéia a principio imbuída de certa dose de arrogância?

Quando os gestores não sabem mais o que propor diante de necessidades artísticas tão diversas, os coleguinhas de conexões já tiveram que mostrar aos fazedores de edital o que exatamente devia ser proposto. E funcionou.

Ainda é preciso explicar a “formadores de opinião” que a dança contemporânea tem o papel sim de quebrar distâncias – principalmente entre um Deus vistuoso em suas movimentações e flexibilidade inalcançáveis e quem está na platéia. Que por sinal, não raras as vezes é perfeitamente capaz de fazer o que vê em cena.

Hoje a noite foi deliciosa – Dimenti e Núcleo do Dirceu. E todos os outros também, num Tombé que passeava um pouco por tudo o que se viu até agora nesse encontrão da Veneza tupiniquim. Hoje eu também consegui ver por alguns momentos, pela primeira vez, o Zé-Pilintra-Mefisto-Fausto-Brasileiro do Seu Crazy da Silva. E se com “farinha pouca meu pirão primeiro”, ou por outro lado “mamãe bote o meu”, vamos lá que amanhã (ou mais tarde) tem é mais.

Dani S.
Fotos: Jana Lobo

RSS Digg Twitter StumbleUpon Delicious Technorati

2 comentários:

L.H. disse...
11:06 AM  

HUm...mudança de estratégia ou mudança de marketing? Talvez uma coisa se misture a outra né não?

Agora se existe uma certa dose de arrogãncia, em querer "formar platéia" não sei sabia... talvez se estivermos falando de uma visão colonialista (que intuitivamente desconfio do que seja), que impõem um conjunto de valores goela abaixo, aí sim talvez. É sutil, dependa talvez da maneira como me relaciono ao outro. Tem muito projeto social em perifa que chega assim...com essa visão. Que enxerga as pessoas pela classe e aí vai lá e "resgata" a pessoa daquela condição...reforçando que agora com aquela informação erudita ela não esta mais "marginalizada". É muito sutil.


Mas as pessoas nunca poderão optar por aquilo que não conhecem, eu não posso gostar do que não sei o que é. Não tem relação só com a coisa hermética geralmente atribúida a dança conteporânea. Tem relação com um tipo de linguagem que não é distribuída e que historicamente é mais elitizada mesmo. Então romper com isso aí...é um processo.

Por isso que formar platéia , talvez seja preencher uma lacuna, propor ao outro a possibilidade de se relacionar com uma informação que o corpo dele desconhece.

Aliás o corpo DA GENTE. Porque quando falo corpo, falo do corpo de toda e qualquer pessoa. Ou tu acha que eu assisto as coisas de maneira confortável. Até mesmo essa condição de artista não nos garante um "crachá que me habilita" automaticamente pra entrar nos trabalhos que vejo e "pum" se relacionar facinho..facinho....

As vezes a sensação que tenho é que tem que ver, ver, ver mais e mais e mais.... exatamente porque, asism como todo mundo, passei muito tempo sem mne relacionar com aquilo. E ver..é ver um monte de coisa, o mais diversificado possivel. Porque conhecer arte conceitual e ver experimentos no universo das artes visuais...me faz arrumar meu quarto de outra maneira.

A gente passa grande parte da infância, da adolescencia diante de determinados estímulos, visuais, sonoros..bla bla bla. Na frente da TV por exemplo... Então se a gente já se deu conta que o produto que geramos não se enquadra nesses paradgmias de mercado, se não jogam com esses códigos, aos quais as pessoas estão condicionadas ao longo da vida.... tem que ter uma mediação aí! Tem que formar platéia né não? Tem que encontrar maneiras de facilitar o acesso a coisa... E PELO AMOR DE DEUS não é dando legenda, ou subestimando a sensibilidade e percepção das pessoas. É atraindo mesmo.

Adoro essa discussão de marketing porque vivemos numa lógica capitalista, e nosso produto artístico tem que dialogar com ela de qualquer forma. Isto é fato.

Acho que novas estratégias passam sim por esse vocabulário marketeiro. Como é discutir as questões que norteiam esse "agora" e simplesmente desconsiederar os fenômenos que geram/organizam esse mundo?

Os markenting consegue gerar necessidade, por um canal que passa pelo desejo.....tem que cavar aí!

discussão continua aqui:

http://www.nucleododirceu.com/2009/07/comentario-que-virou-post-por-falta-de.html