
Voltando do encontro de coletivos em Recife (Conexões Criativas)
pensei em como é bom esse tipo de coisa.
Discutir sustentabilidade, articulação de parcerias,
estratégias de marketing, etc..
Mas....
Confesso que voltei com mais perguntas do que respostas. (Que bom!)
Tenho dúvidas se é mesmo para tooodos os artistas participarem desse tipo de discussão já que lá quase não se discutiu o “fazer artístico em coletivo” propriamente dito (talvez por falta de tempo).
Será que profissionalizar o setor também não é botar os "pingos nos is" sobre quem faz o quê, e como? No fundo, sei que estamos lutando por nossa fatia na sociedade, o que não é mal, mas se todo mundo se ocupar com isso quem vai “criar”?
Todos tem que participar de tudo até um certo ponto, né?.
Botando os pingos nos is..
Criação _______________________ Artistas
(Preencham o resto...)
Estratégias de marketing ___________ ...
Discussão teórica _________________...
Captação de recursos/parcerias______ ...
Articulação em redes virtuais_________...
Mas, por outro lado, é claro que:
ARTISTA TEM QUE LER SIM !
PRODUTOR TAMBÉM CRIA !
TEÓRICO TAMBÉM PAGA CONTAS !
PUBLICITÁRIO PRODUZ CONHECIMENTO !
Mas fica parecendo que SÓ criar não dá. Sair da limusine para o palco !? Moon walk!? qualquer um faz.. isso não é trabalho. Acho que temos um sutil complexo de “inferioridade burocrática” dentro da sociedade. Precisamos arrumar serviços burocrático-político-teórico-institucionais para termos a sensação de que também somos importantes advogados, sei lá.
Daqui a 20 anos:
SACO – Sindicato dos Artistas Contemporâneos
CRIA – Centro Recreativo dos Intervencionistas Anônimos.
Teve uma época que caiu aquela ficha pra mim de que todo mundo é “artista”! Um piloto de Fórmula-1 é um “artista”, um pai de família que ganha salário mínimo é um “artista”, mas, vai um artista resolver abrir um consultório médico..... CADEIA !
Então mamãe, vamo separar as coisas.
Vou ter que admitir que a minha vó talvez tivesse razão. A única maneira de ser artista com total liberdade é ter outro emprego que pague as contas. Porque já estamos de qualquer maneira cumprindo funções paralelas às de artista! ou não? Eu confesso que nunca imaginei, a partir da escolha que fiz lá no tempo do vestibular, que ia ter que mexer com tanta papelada e burocracia.
É um pouco estranho, apesar de saber que alguém tem que fazer o trabalho sujo. (rs)
(Statements)
- Organização em coletivo não é IGUALDADE
- A militância política já está contida no fazer artístico
- O emprego do artista é tão necessário como qualquer outro
...o que quero dizer é que eventos como o Conexões Criativas são importantíssimos.
Parabéns à equipe e aos grupos que participaram!
Bjos
Sérgio
Terça-feira, Julho 07, 2009
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8 comentários:
pois é Sérgio.
ô dilema....
depois daquela nossa conversa, quando vc tava começando a fazer esse post, fiquei mais confusa ainda.
Se só criar não dá mesmo, e aí? Vamo abrir um empreendimento?
Podemos concluir que pra parar de reclamar, de gastar energia, de pensar em tanta e tantas estrategias...só mesmo vivendo de ALGUMA OUTRA COISA que me permita só CRIAR.
é isso?
é a tal dicotomia, frente artista e frente institucional pra qual estamos caminhando?
bjo.
não sei nem por onde enrtar.
se a opção só criar é irreal, fazer uma atividade paralela só pra me sustentar é um pouco desconexa.
se tudo o que faço carrega um discurso político, então fazer um negócio pra ganhar uma grana é meio?????
a gente quer se livrar das coisas chatas(pagar contas, assinar papel,escrever projeto,etc),por que atrapalham e demandam energia.
Mas não é deixar de fazer isso.
tenho uma nuvem de questões, não consigo organizá-las.
como assim? minhas condições para ser artista hoje passa por um edital da receita federal ou da PRF? peraí! o lance é meter a mão na massa mermo, niguém disse pra gente que ser artista é mole. mas sei não acho que o lance é de alcançar uma clareza, mesmo que seja momentânea e se agarrar nela. Por que com arte você pode chegar a ser a Nayra Lima, mas pode chegar a ser também a Omara Portuondo é só uma questão de escolha(mas a escolha não é que nem cédula de votação: marque a que você quer, mas sim uma maneira comprometida de agir). Mas ainda não to entendendo se a questão é adquirir um status através da arte ou trabalhar em outro canto pra se sustentar como artista. Discutamos mais sobre, quero entender melhor, a conversa tá realmente boa.
escrevi um comentario enorme ontem e perdi pq nao consigo postar com minha propria self identidade.
como fazer pra postar nessa coisa como eu mesmo?
alguem pode me ajudar?
a conversa ta muito boa, mas tem que destrinchar essa coisa ai.
bjo
marcelo (eu mesmo!)
ué marcelo, utiliza teu login mevelin@gmail.com.
Teoricamente é o mesmo prodecimento pra postar como nucleo, não sei o que acontece então.???????
Nossa muita coisa pra pensar e realmente colocar os pingos nos is.
Por um lado, morro de saudades do tempo em que eu chegava, me arrumava, me preparava e "apresentava". Já tava tudo resolvido: o espçao, a luz, que horas era, quanto ia ser...
Mas dando um pulo no tempo e pensando no hoje, o meu "fazer artístico" já inclui outras coisas que não só a criação. E não teria como ser de outro jeito. Temos sim que participar da reunião de produção, ver quem faz o que, estratégias disso e daquilo...Pra mim é crucial, interfere. Já é.
Mas também vejo que realmente é um momento de todos os coletivos aprenderem e entenderem que tudo isso faz parte da nossa função (ou não? ás vezes não tenho certeza disso)além do trabalho artístico. e talvez no ano que vem a gente participe do Conexões Criativas II - discutindo o fazer artístico em coletivo.
Mas mesmo com meu trabalho artístico já incluído de tantos funções, ainda tem um trabalho sujo a ser feito, como diz o Sérgio.
A coisa papelada, institucional, burocracia. Que se for pra completar aquele quadrinho, eu não me encaixo. E nem quero. Neste momento o artístico é minha prioridade. E pelas pessoas que conheço, existe uma necessidade de deixar um pouco de ser artista para poder entrar e fazer render este lado instituição.
E ainda penso muito na questão se temos que ter algum emprego que financie nosso fazer artístico. Sem ficar falando de ideologias baratas ou utópicas, realmente não sei responder essa questão e ela me faz pensar muito.
Nossa, escrevi um monte e também perdi tudo. Não sei. Será que é tão incompatível assim as duas coisas? acho que não. Quando eu tiver coragem de reescrever posto.
Olá pessoal! Aqui é o Kleber de Recife !
Essa postagem do Sérgio é bem polêmica e muito boa.
Penso que tá tudo junto sim, mas talvez com papéis distribuídos. Artista tem que ser artista e produtor tem que ser produtor...a opção de dois empregos certamente não seria o melhor caso.
E talvez tenhamos que parar de coletivizar os modos de produção já que nossa função artística/criadora já é por si uma forma política etc... Dividir as funções seria uma maneira de arrumar a casa e tudo não ser confundido com o coletivismo geral.
Estou pensando pensando...rsrs
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