Como lidar com o confronto alimentado entre a arte como a prática subjetiva do artista e as novas formas de organização desse lugar criativo?
Eu poderia aqui, lançar mão de tantas outras questões e considerações que talvez porventura viessem a contribuir para o funcionamento e entendimento de uma esfera coletiva. Mas sei que não se trata apenas de criar indagações ou encontrar um número considerável de resoluções. Até por que estou preocupado com uma questão tão pessoal que talvez eu possa vir a ser questionado por minha falta de altruismo para com um grupo de pessoas que escolhi para conviver e trabalhar.
Digo isso pois nesse momento o que me vem sempre à cabeça e que me motiva agora, é basicamente uma relação de entender o que faço, de me situar como artista nesse turbilhão de transformações que a arte contemporânea intrinsecamente carrega consigo. Sinto cada vez mais a necessidade de lançar mão daquilo que faço para entender justamente aquilo que faço com o meu corpo. Esse mesmo corpo que pretende agir políticamente, sensívelmente, falar, comunicar, tocar, dançar, fazer sexo, etc...
Mesmo assim, com tanta clareza do que penso e quero nesse momento, alguém pode ainda perguntar: E isso pode interessar a alguém?
Talvez! Mas pra mim a grande questão não é simplesmente ser interessante pra alguém ou agir com o intuito de legitimar aquilo que faço, pois arte não é uma catequese ou seita. Pra mim tem haver exatamente com o entendimento do que é ser artista, de saber para que veio.
Acho que esse exercício de tentar entender isso, pra mim está sendo válido pois é onde encontro forças para dizer o que quero e penso. Cabe sim ao artista repensar sua maneira de agir na sociedade, e cabe a ele também entender como funciona a sistematização dessas idéias, como ele pode alavancar uma idéia para tarná-la concreta, como a logística de funcionamento na sociedade pode se tornar de alguma maneira mais eficiente.
O artista não é aquele que se prende a utopias criativas e sim aquele que desfaz as utopias de maneira concreta e as transforma em arte.
São questões que trago como reflexo das experiências vividas em Recife, de entender que aquilo que faço, na hora em que faço, nesse momento se torna o mais importante em meu trabalho, mas conciente de que se deve costruir um entorno, com engajamento, entendimento da arte como uma forma de alargamento do pensamento de uma sociedade e o compromisso em se manter vivo um organismo ou organização pela e para a arte.
fagão
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