
Para ser lido depois do Post " Terceiro dia, e Contando..." da Dani Soares, e depois do Comentario da Layane Holanda no mesmo Post.
O post é esse!
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muito bom o texto dani, tem critica, humor e noticia, tudo do que precisamos.(precisamos desses pufs tbem gata, ja faz tempo).
teu comentario faz todo o sentido layane, ta fundamentado, mas eu fico querendo trazer uns outros pontos pra essa coisa de "formar plateia", so pra engrossar o caldo.
1-eu acho que a ideia em si tem sim algo de colonizador, pq subentende que "eu artista" tenho algo pra dizer/mostrar que e' muito importante pra "vc publico".
2- toda estrategia de marketing/mercado esta baseada em fazer "vc publico" sentir necessidade ou adquirir uma necessidade (o que ainda e' pior pq passa pela alienacao pelo produto) pelo produto. nao existe ai nada de "organico", e' manipulacao mesmo, tipo lavagem cerebral. ai as grandes marcas vendem horrores e devolvem ao mundo a ideia de que agora somos mais lindos e mais felizes pq estamos em nossos peugeots, nokias, omos ou frees. O pior dessa estrategia e' criar desejo camuflado de necessidade, ate que o desejo passe a ser mesmo necessidade, e ai bingo! sucesso total! para os estrategistas.
3- eu pessoalmente (la do fundo da minha insignificancia) tenho achado que talvez arte nao tenha que se relacionar de maneira nenhuma com mercado, estrategias ou qualquer uma dessas coisas.
sera que nao estamos compreendendo arte demasiadamente como produto, tentando criar uma especie de "necessidade valorada" (todo mundo tem que consumir)?
sera que nao estamos valorando e acreditando no que fazemos apenas relacionado a qto ganhamos, onde apresentamos, qtas pessoas na plateia?
e sera que nao existe algo arrogante e prepotente mesmo, no fato de eu querer que o maior numero de pessoas venham ver o que eu faco, assim como o dono da sandalia havaiana querendo que o mundo TODO use havaiana?
no caso do dono da havaiana e' compreensivel: mundo todo com havaiana no pe=muita grana.
sera entao que essa discussao toda e' pq queremos ter mais grana, mais poder financeiro com nossa arte? e' isso? se for precisa ficar mais claro.
mas eu acho que deve ser outra coisa, e vou me arriscar aqui: eu acho que tem uma especie de "complexo de inferioridade" nos fazedores de arte com relacao a essa obsessao pelo teatro cheio. eu acho que tem um desejo de ser amado e uma magoa por nao ser amado suficientemente (pq 2000 pessoas me assistindo, ou melhor amando, e' diferente de apenas 30 ne?).
parece pra mim que nao estamos completamente certos do que fazemos e precisamos da aprovacao do "conjunto social" (de preferencia diversificado) exatamente como qdo as criancas fazem suas gracinhas para toda a familia aprovar. a plateia cheia virou termometro de qualidade, nem que seja qualidade de marketing, como no caso debora colker, por exemplo.
e pra mim qualidade nao ta ai.
tem uma coisa carente, coitadinha, no artista que ta preocupado com casa cheia, parece que vem pra substituir um desejo de fazer novela da globo, e ai sim, e' a gloria pq todo mundo vai me reconhecer na rua, entao a "arte" da juliana paes e' o que ha de mais importante para a humanidade pq 100 milhoes de brasileiros acessam anestesiados todas as noites. tem uma coisa de ego dissimulado ai, escondido atras de um discurso cristao (que dita: quem acredita vai pro ceu, o resto vai todo pro inferno).
eu tava andando na rua com um jovem amigo filosofo falando de arte, estrategias, mercados, conceitos, etc. ele parou um momento e com cara de saco cheio me disse assim:
marcelo, arte tem que ser feita pq vc quer fazer, pq nao pode viver sem, pq tem que ser feita pra preencher o "teu" espaco de nulidade nesse mundo, nao tem nada a ver comigo.
me chocou mas me tirou dessa falsa discussao contemporanea sobre arte, mercado e meu cu.
arte sempre foi um prenuncio/baldrame para o que ainda nao e' e nao esta, sempre representou a insistencia da banalidade em nossas vidas, da nao funcionalidade em nossas vidas, o eterno embate do nao sentido subsistindo.
mas agora os artistas se juntam e ao inves de falarem de como fazem para juntar a etica aa estetica em seus trabalhos, em como produzir promesas de felicidade para "si mesmo" (pelo menos), se lancam em interminaveis tentativas de como fazer dinheiro ou de como serem amados incondicionalmente pelo maior numero de pessoas.
sao so algumas consideracoes, sem ofender nada nem ninguem.
marcelo evelin
Sexta-feira, Julho 03, 2009
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6 comentários:
Pois é, a rotina aqui tá pesada e só agora pude ler essas reverberações. Não vou pensar muito, vou escrever como as coisas estão me vindo, porque iso é uma coisa que me faz pensar já há aluns anos. Acho que minha arte me importa acima de tudo, que eu tenho que faze-la pra mim antes de todos e nesse ponto concordo com seu amigo.
Mas fazer disso um começo e meio e fim aí pra mim já é meio que autimso. Se minha arte é teatro barra dança (sic jorge duarte), pra mim é importante que ela seja vista, que eu veja tbm o que chegou e o que não chegou, que eu acompanhe essa teia o máximo possível. Nao sei se isso é carência ou outra coisa do tipo, e talvz seja uma coisa bem prosaica ou patética extamente como carência ou outra coisa.
Mas vejo isso como uma necessidade minha hoje como artista: ver meu trabalho chegar em uma pessoa ou 20 ou 2000 - o que faz muuuuita diferença. Arte pra mim é uma maneira de comunicar - de repende, eu acho que passar isso pra frente, tirar de mim, é uma parte importante desse preenchimento do meu espaço de nulidade nesse mundo.
o que isso tem a ver como marketing ou com minha necessidade de usar o marketing? Algumas coisas. Vejo que podemos nos apropriar desses princípios comerciais pra desarmar as pessoas sobre o tipo de produto com que lidamos. Se um mínimo disso puder ser feito, eu já vou achar too much.
ui marcelo...lapadinha!!!
nenhum filosofo me disse nada, mas vc dizendo, bate aqui forte no meu cocuruto! hahaha. muito bom!
me abre muita coisa... e concordo em muitos pontos.
1- Consigo enxergar melhor essa coisa arrogante de formar platéia... mas ainda acho que é muito sutil.
2- Não é também pretencioso viver num circuito fechado produzindo pra amigos, e gerando informação numa fotossíntese que justifica minha existência e só reafirma pra mim mesmo minha condição de artista? Não te parece auto-suficiente demais?
Pra mim pelo menos, se for assim, vou sei lá, virar agrônomo, entrar pro greampeace....me sentir útil. O que irremediavelmente seriam outras tentativas de preencher meu tal ESPAÇO DE NULIDADE NO MUNDO.
(kkkkkkkkkkkk)
Talvez essa necessidade de se sentir útil, teu amigo filosófo consiga clarear mais na minha cabeça, talvez sejam os tais genes, óvulo, útero, espécie, não sei! Ou eu precise de um pouco mais de tempo e de alguns outros livros.
O fato é que essa condição " eu faço pra mim" me parece ainda mais angustiante. Apesar de concordar contigo nessa coisa de síndrome de casa cheia, de coitadinho, de vender chinela havaiana. Tem muito disso mesmo!
Mas não deve ser só isso.....
Se entendemos arte como conhecimento, de uma outra ordem do conhecimento gerado pela ciência, por exemplo, penso que ele só passa a existir (ou só passa a fazer sentido) no outro. Na relação com o outro. Quando esse tal conhecimento é aplicado, quando vira outra coisa que não é mais nem só dado. Me pergunto se o artista não teria que funcionar como os cientistas, estes aos poucos tem conseguido ampliar a visão restrita de milhões de criacionitas envangélicos...
E sei que é mesmo arrogante, olhar pra minha cunhada que assiste o R.R Soares e pensar: - Tadinha! Eu preciso, preciso ajudar ela, e apresentá-la ao Darwin. Me coloco mesmo num lugar "superior", aos artistas que optam por esse vínculo com família , a tal formação de platéia começa em casa né!
Outra coisa: Em um certo nível meu fazer artístico se aproxima da idéia de oficio, de profissão, de atividade que te consome energia, tempo, investimento. E aí, se eu estou condicionada a um sistema, é esse meu oficio que paga minhas contas né não?? Como então não cair nesse papo de produto e estratégia.
Porque ok, não fazemos parafuso!
Mas não posso simplesmente sendo artista num exercicio continuo de preenchimento da minha nulidade gerando conceitos que insistentemente camuflam a banalidade e total falta de sentido implicíta na escolha "continuar vivo"...e...e...e... no fim das contas não poder COMPRAR.
Ou eu posso? (rsrs)
Até agora tenho que conseguir um meio de financiar minhas promessas de felicidade, sejam elas, um megahair, um not, ou um carro. Até pra dividir esse ponto de vista e perpetuar essa minha reflexão, eu tô tendo que pagar a lan house...
Como então escapar dessa lógica de produto?
aiiii, que papo bom!
e também sao só algumas considerações pra não ofender ninguém. A ironia maldita é que é dificil de tirar!! Dá um desconto aí!
Não tenho tanta clareza com relação aos pontos levantados, mas consigo sentir nessa discussão um bom gancho pra pensar na minha condição de estar artista no mundo.
a minha nulidade tem sido o ponto de partida pras coisas que escolho fazer (lógico), mas não o motivo que me faz continuar fazendo.Então continuo buscando outras conexões e tento sair desse pensamento, por que não faz sentido fazer arte só pra preencher o espaço, seja ele qual for.
No meu caso , o que faço ( criação, aulas, cuidar das minhas filhas, ler um livro, fazer a planilha) são coisas pra me alimentar como ser humano, que é sim uma cadeia, uma teia, rede sei lá!
sozinho, fazer só pra mim, não.
Minha necessidade é não fazer só e não fazer só pta mim.
Não enxergo as reflexões só pelos extremos, eu só ou na globo.
O público não é só a audiência da tv, tem mais gente no mundo, e estou bastante interessada em conviver com essas pessoas, numa apresentação, numa ação na rua, na sala de aula.
Weyla Carvalho
gente, a coisa e' assim:
primeiro:
dani, arte subentende sim uma COMUNICACAO, isso ta claro nao precisa explicar, fazemos para comunicar de qquer jeito ok?
segundo: NINGUEM, mas NINGUEM mesmo ta falando em fazer so pra mim, pros amigos, fazer pro umbigo, ninguem ta falando de autismo.
assim como o padeiro nao faz so pra ele, nem o cabelereiro, nem o bancario, NINGUEM faz so pra si e nao e' disso que estou falando.
o que continuo me perguntando e mais ainda e' PORQUE tanta preocupacao em estrategias, formar plateia, exigir que os outros venham, criar atrativos, ter plateia cheia, vamos pensar como, de que jeito, vamos discutir ainda mais pq tenho que pagar as contas?
o que proponho e' sim DISCUTIR ARTE, como fazer para chegar mais perto do que se acredita e quer (realmente) fazer, como fortificar a concepcao, melhorar a dramaturgia, incluir o atual, o corrente, apresentar de forma clara, sedutora, atraente e que me de prazer.
eu acho que quando o trabalho e' BOM e e' SEU MESMO (sem modismos, sem estrategiazinhas contemporaneas, ou bla bla bla to formando plateia) ele VENDE, ele anima, ele seduz, ele ACONTECE COMPLETAMENTE.
vcs ja imaginaram o Van Gogh fazendo uma reuniao com o MOnet e o Matisse pra decidir como vender quadros?
tudo bem que o van gogh morreu pobre, mas com certeza morreu com dignidade, apesar des em orelha.
vcs podem imaginar uma orquidea fazendo estrategia pra formar uma plateia que diga que ela e' a flor mais linda que existe?
e' disso que eu to falando. nao se defendam, e vamos ganhar dinheiro, comprar carro e eu tbem vou botar megahair.
mas cada vez quero encontrar mais o sentido da minha arte dentro dessa nulidade mesmo, pq se eu nao encontrar, nem vale a pena formar uma plateia. pra ver o que gente? pra ver que eu sei formar plateia?
nao, nao, fico careca mesmo sem os megahair.
na boa. boa a discussao. au revoir.
marcelo
nao consigo mais postar aqui gente, como se faz pra fazer isso?????
essa discussão é boa mesmo...
bjos
sérgio
pois é, pois é...
no fundo o PORQUE das estrategias, da articulação, da formação de platéia é uma só: ganhar dinheiro.
Ter o chamado lugar ao sol! Se encaixar como mais uma peça lego nessa engrenagem. (e sei que a gente se fode aí, porque se institucionaliza).
Por mais que a gente discuta e discuta, estamos mais numa condição do artista que FAZ (e não do artista que É). Estamos na mesma lógica de todo mundo "eu preciso e eu desejo" e isso custa X. Eu nao apenas penso em criar algo, e no porque disso, eu penso mais até em como fazer o que eu crio VIRAR DINHEIRO.
Concordo com o Sérgio, se todo mundo tivesse um lugar que ia lá e plim conseguisse o dinheiro e pronto, acabava essa reclamação, essa preocupação se só 5 ou 50 quis ver, as articulações, os editais bla bla ...a energia ia pra um outro lugar.
Mas gente é muito doido isso!
Marcelo é claro o que tu coloca da orquidia, mas é ao mesmo tempo pradoxal, porque as vezes SER BOM não é muito suficiente não. Seu Pedro da Rabeca toca mais que o Sergio, mas e aí? Sao talvez as tais estrategias e papeladas e as articulações do sérgio que no fim das contas tornem a condição dele como artista mais "digna". E nao tô falando de status, to falando de não morrer na miséria como VanGogh.
É muito complicado! Pro seu Pedro talvez não seja, mas pro sergio(talvez) a tal "condição digna" é poder ter um mac pra trabalhar. Mas pra isso ele nao pode SER só artista não. Ele tem que fazer e fazer e fazer..e descobrir outras maneiras de fazer... ele não pode apenas pensar em DISCUTIR ARTE e incluir o atual e se se aproximar do sentido que ele faz, etc.
Ou pode? (não sei mesmo)
Sei lá, dá um nó na minha cabeça. ACONTECER COMPLETAMENTE hoje em dia, nao deve ser mais como no tempo de VanGogh.
As vezes tambem me sinto uma operária da reclamação.
é foda isso! tu devia falar mais sérgio!
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