



Arrisco um post pra ficar perto, porque as distancas fisicas sao - vamos combinar - abstratas, se comparadas com as distancias sociais, comportamentais, afetivas, ou seja, as distancias do sensivel.
Estou acompanhando as discussoes de voces ai nesse reverbe do encontro de coletivos, concordando e discordando de coisas, mas sobretudo achando que essa discussao toda e' muito boa, saudavel e pertinente, porque nos indica a necessidade de uma pratica (seja ela qual for) e uma clareza que e' inevitavel, considerando o tempo e o mundo em que vivemos.
Tive uma semana intensa na selecao do Rumos, algo de muito especial em se tratando de um encontro entre 4 coreografos maduros e 1 teorica maravilhosa, trabalhando com danca no Brasil hoje, e podendo conhecer quase 500 pesquisas de criadores brasileiros da atualidade.
Foi um momento de falar profundamente do que e' produzir danca, criar no corpo, utilizar o pensamento da danca para gerar conhecimento, adaptar as condicoes externas aas condicoes internas desse corpo que e' potencia, desejo, necessidade, testemunho, diagnostico, evolucao.
Pensei muito em todos voces, em nos e no nucleo, essa instancia de mera possibilidade, de utopia necessaria, de mal desejado. Reafirmo aqui meu compromisso com essa investida, com esse sonho, flor de mandacaru em meio ao sertao arido, seco, esturricado para alem da condicao geografica, como condicao mesmo de existencia.
E o que seriam esses cisnes, se assumimos esse engajamento com um fazer ai para as pessoas dai?
E o que teriamos mesmo a dizer sobre o que somos hoje sem mais relacionar com o que vivemos recentemente?
E o que teriamos a dizer para as pessoas que trabalham no centro da cidade de Teresina, sem considera-las estupidas e coitadinhas, fadadas a viver na mediocridade?
E qual e' o modo de fazer, o tom que a coisa toma, se pensando em comunicar sem menosprezar, sem baixar o nivel, sem simplificar achando que existe algo que se chama "a mentalidade de Teresina" e que sabemos mais?
E como lidamos com falsas concepcoes, com preconceitos, limites, caretices normativas, apatias, que so atravancam nossa possibilidade de experimentar o mundo?
Sera que nao temos realmente que assumir o cisne que queremos ser, e escolher o tipo de lago no qual queremos viver (seja la o que isso vai nos custar), para alem de qualquer ingenuidade, ignorancia reativa, bairrismo, vitimizacao, ego dissimulado?
Um lago de cisnes so fara sentido se soubermos claramente que cisnes (ou cisneys) sao esses e que lago e' esse em que vivemos. Lago como condicao, como possibilidade de desdobramento, como justificativa para estar aqui por esse tempo breve, tempo inventado e tao absolutamente descontinuo e instavel, mesmo que uma ideia de realidade limitada e falsa tente nos provar que nao e' assim.
Marcelo Evelin
Domingo, Julho 12, 2009
Archivado en:






7 comentários:
oi marcelo
muitas vezes quando você está longe fisicamente, eu te sinto muito mais próximo de mim, de todos, do que quando vc está aqui de fato.
Algumas questões pra mim:
o fazer aqui para as pessoas daqui - entendo o que vc coloca, mas será que o simples fato de pensar assim já não é uma colocação nossa de "superiores"? Será que se a gente morasse e sampa a gente ia dizer "fazer o cisne para as pessoas daqui de são paulo?"
A velha questão pra mim local X universal.
acho que colocação no mundo e posicionamento político no fazer artístico, se são honestos, tocam, chegam, e são universais. Teresina como metáfora de qualquer lugar. esturricada mas com flores e um lindo por do sol.
nós somos trabalhadores (do sensível) para falar com trabalhadores (do centro). Acho que tá muito mais próximo do que pensamos. com esse nosso pensamento e discurso bairrista, vitimizado, superior, podre.
o que temos a dizer fora o que nos aconteceu recentemente?
eu tenho muita coisa! minha cabeça tá um caos (por isso meus posts e coments estão bagunçados), tentando ao mesmo tempo descansar, produzir e digerir informação.
muita muita coisa aí pra mais uma semana de digestão.
jana
pois e', eu acho que talvez esse teu sentimento de que estou mais perto qdo estou longe, venha do fato de eu me sentir muitas vezes mais perto de mim mesmo, quando nao estou ai.
e isso me preocupa ao constatar, mas tenho que dar um tempo, pq confesso que estar ai e' de um confronto incrivel as vezes, e ainda estou muito traumatizado com tudo o que aconteceu. mas vai passar, estou trabalhando nisso, e as feridas vao sarar.
acho que estamos falando a mesma coisa qdo me refiro a fazer para as pessoas dai. eu to descobrindo que nao temos mesmo que fazer "especial" para o publico de teresina, seja ele do centro ou da periferia. temos que fazer mesmo e' o que queremos fazer, do jeito que queremos fazer, com o que acreditamos e oferecer ao publico.
eu tava numas de tentar achar uma maneira de comunicar com o ai, mas acho que nao, que a tentativa e' a mesma em qquer lugar, tentar fazer chegar aquilo que acredito da maneira que surgir, pra qquer pessoa.
bjo, marcelo
as questões agora estão me deixando mais acordada.
que lago é esse?
fico pensando nos corpos (do NCD) se percebendo de outro jeito, numa outro tempo, e espaço.
penso também no encantamento, na escuridão desse lago, na promessa de beleza, de felicidade e de proteção, qual é o preço que se paga?
Weyla
Bonito post... e os cisnes são lindos mesmo. que bicho seria o cisne no piauí?
Vamos endurecer sem perder a ternura!
Jamás!
bjs
Sérgio
Não precisa filosofar os cisnes, essa foto do espetáculo deixa claro que basta apreciar tanta beleza e a alma se eleva de prazer supremo. Lindo mesmo de se ver, jus a uma boa obra de arte...
filosofar e' a coisa meu querido, pra transformar em realidae palpavel.senao ficam so as aparencias....beijo, marcelo.
Postar um comentário