Quinta-feira, Maio 07, 2009

Primeiro Encontro da Rede Funarte de Danca






Aconteceu no ultimo fim de semana no Rio de Janeiro, dias 2 e 3 de maio, na sede da Funarte, o Palácio Copanema, um encontro entre gestores, produtores e artistas, para discutir metas e estratégias para uma política brasileira para a dança.

Foram convidados e compareceram 54 pessoas, vindos de 23 estados dos 27 da Federacao.
O coordenador de dança da Funarte, Leonel Brum, abriu o encontro na manha do sábado, falando da emocao de ver ali reunidas tantas pessoas importantes e atuantes no ambito da dança feita em nosso pais. E a emoção tava mesmo rolando solta, porque parecia uma reunião do Senado Federal com representantes de companhias, universidades, grupos e festivais, com o intuito de se conhecer entre si e discutir juntos o presente e o futuro da nossa classe.

Depois de uma fala do gerente de artes cênicas, Marcelo Bones, ouvimos também o presidente da Funarte, Sergio Mamberti, que falou da importância da dança no processo de desenvolvimento cultural do Brasil e prometeu publicamente que o que fosse discutido naquele fim de semana seria levado em consideração e atendido pela Funarte.

Depois de uma apresentação breve de todos os participantes, falando de onde vieram e o que fazem, com direito a listar suas ações e campos de atuação, nos organizamos em 3 grandes grupos para discutir 4 topicos propostos:

DIFUSAO (redes, festivais, espaços)
MAPEAMENTO
FOMENTO (editais conjuntos etc)
FORMACAO/ CAPACITACAO

Os tópicos acima foram discutidos a partir de questões como: O que, Porque, Pra que?



No final do dia o representante do Ministério da Cultura, Roberto Nascimento, veio explicar a reformulação da Lei Ruanet, de incentivo a cultura, que pretende ser levada ao plenário e transformada em lei ainda esse semestre, para passar a vigorar reformulada ate o final do ano. A idéia central da nova lei e’ deixar de depender da renuncia fiscal e passar a ter varias formas de fomento.

Os primeiros dados apresentados sobre a população brasileira com relação a cultura foram:

14% nunca foi ao cinema
92% nunca foi a um museu
93% nunca viu uma exposição de arte
78% nunca viu um espetáculo de dança
90% dos municípios brasileiros não tem cinema, teatro, museu ou sala multiuso

Roberto deschavou o complicado processo de reformulação dessa lei com humor e sempre apoiado na realidade de todos nos, e fechou a programação do dia dizendo:

“O que o artista precisa e’ de política publica. Mecanismos claros, transparentes e sustentáveis.”







ESPACOS MOVEIS


No dia seguinte, o domingo, chegamos cedo ao tal palácio e nos demoramos mais na mesa do café, entre jardins e tapetes do Burle Marx e uma quantidade enorme de murais do Portinari.

Outros três grupos foram organizados, desta vez por categorias:

Universidades
Gestores Públicos
Gestores Independentes

Tomei lugar no ultimo grupo, desfrutando contentemente da minha recém independência, aliviado por não estar mais ligado a nenhum poder publico, porque poder publico de C e’ mesmo R.

No meu grupo (mais de 20 independentes) decidimos começar com cada um dizendo o que pode oferecer para a dança brasileira, em termos de espaço, ou festival, plataforma ou alguma ação de troca. E também o que gostaríamos de ver efetivado para a dança nos próximos tempos.

Quero dizer que me surpreendi demais com essas ofertas, uma descrição pormenorizada de como cada um esta trabalhando, pensando, se organizando, apesar das dificuldades que se pode imaginar em gestões independentes.
Ta todo mundo fazendo alguma coisa gente, inventando maneiras, produzindo pequenos festivais, inventando espaços para criar, fomentar, discutir a dança. Seja Belo Horizonte ou Jaraguá do Sul, seja Nova Iguaçu, Paracuru ou Recife, ta todo mundo se virando pra manter uma política forte, madura e muito inventiva para a dança.
Foi uma constatação muito feliz, deu uma esperança da porra, e sobretudo confiança nessas pessoas que la de seus lugarezinhos tão fazendo a diferença.

Olha ai os festivais brasileiros colocados na roda:

Bienal do Ceara (Fortaleza e Sobral)

Festival Condições Urbanas (Belo Horizonte)

Festival 1, 2, 3 na Dança (Belo Horizonte)

Dança em Foco (Rio, São Paulo, Goiânia, Teresina, Manaus)

Dança Criança (Rio)

Festival de Dança de Nova Iguaçu (Rio) *

FID (Belo Horizonte)

Festival Litoral Oeste (Litoral do Ceara)

Circuito Cena Movimento (Recife, Fortaleza)

Festival Panorama (Rio)

Festival Entrando na dança (Subúrbios do Rio)

Festival Múltipla Dança (Florianópolis)

Festival Nacional de Jaraguá do Sul (Santa Catarina) *

Festival Diagnostico da Dança (Goiânia)

Festival Contemporâneo de Dança (São Paulo)

Plataforma Dança Recife ( Pernambuco)

Festival Internacional de Dança do Recife (Permanbuco)

• Competitivos






Continuando a discussão organizamos nossas prioridades para serem apresentadas na junção geral dos grupos.
Decidimos por:

1 - Editais para festivais de pequeno, médio e grande porte.

2 – Edital para projetos de residências e intercâmbios (pontuais e/ou sistêmicos)

3 – Edital para continuidade de Projetos/Companhias/Grupos

O tópico numero 2 foi trazido por mim e discutido com a ajuda de todos. Lancei a idéia de “Espaços Moveis”, ou seja, ao invés de um grupo ter financiado o seu espaço, esse grupo de artistas estaria em transito constantemente, de lugar a lugar, de contexto a contexto, produzindo e trocando neste lugar intermediário, não fixo, não permanente.
Alguns espaços já se mostraram disponíveis, como o actionspace do Zikzira (BH), o Espaço dos Cariris (SP), a Universidade de Belém(PA) e ofereci claro, a nossa Oficina Mecânica do Núcleo do Dirceu, que continua despertando a maior curiosidade em todos.

Foi isso.
Agora gente, deu um puta medo das eleições do ano que vem. Imagina se ganha a presidência o PSDB, com suas políticas retrogradas e reacionárias? (Cruz Credo, se tomarmos o Piauí como exemplo, melhor a morte!)

A dança agora tem que brigar pela continuidade de um governo, que ta longe de ser perfeito e “dar um jeito no Brasil”, mas ta discutindo abertamente, ta ouvindo os artistas com esperança de fazer alguma coisa com a idéia deles e, temos que admitir, nunca se fez tanto pela arte como no governo Lula.

Marcelo Evelin

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