MARATONA INSTANTÂNEA > COLABORATORIO TERESINA
Metáforas possíveis.
A idéia da maratona surgiu a partir das discussões do contexto do NCD após sua saída do TMJP2. A demissão coletiva promoveu uma intensidade organizativa e urgência de reformulação para a continuidade de suas atividades enquanto artistas independentes e coletivo. O núcleo agora se encontra na realidade da maioria de artistas, coletivos e grupos dessa natureza no Brasil. E, a palavra autonomia ganha uma dimensão mais próxima e definitiva. Ganha também a rua !
Arte e educação sempre estão às margens das prioridades e orçamentos públicos, talvez pelo seu caráter de investimento em algo imaterial, em produção de conhecimento, e não traga retornos imediatos. Se entendemos arte como uma liberdade substancial, entendemos então que ela pode tornar a vida das pessoas melhores, ampliando suas referencias, promovendo relexão e autonomia.
Investir em conhecimento significa evitar/prevenir os pequenos desastres, ou privações, da vida cotidiana individuais e coletivos em uma sociedade. Significa incitar o individuo a questionar e conhecer seus direitos e possivelmente encontrar soluções de participação social que tenha potencial de interferir e transformar o ambiente em que vive e desfruta.
A maratona pra mim reflete esse contexto. É uma prova de resistência, é um devir que se estabelece por determinação, e neste caso especifico aqui, acontece nas margens, no acostamento, nas periferias.
Não existe a vitória, existe o percurso e o que ele pode promover de reflexão e insinuação na cidade.
Ela acontece durante uma semana todos os dias, e através dessa continuidade se propõe a resgatar um olhar alheio mais passivo dos acontecimentos de seu entorno. Ela não se propõe a ser exatamente um escândalo, ela se propõe a entrar com cautela e inserir um outro modo de mobilização e dialogo com a cidade, com o seu entorno.
Ela disfuncionaliza sua própria finalidade, quando não promove hierarquias de pódium e competição.Assim, ela questiona propósitos, sentidos e significados.
No ambiente artístico ela se apresenta como uma metáfora de criação de contexto. Uma produção constante de visibilidades para fazer existir a arte que nos propomos a fazer. Portanto, os números nas camisetas dessa maratona, são também os números de uma audição continua, que reflete todos os projetos, os currículos e biografias que são anexados e encaminhados sempre, para que nossa pratica artística possa existir e permanecer.
Vivemos em uma audição constante, mas acreditamos ser autônomos.
Quer participar ?
Cristian Duarte
+ sobre o colaboratório > teresina
Galeria dança e artes plásticas
50 minutos atrás






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