Quinta-feira, Julho 09, 2009

Posible TTA Nirlyn y Elielson


EN PORTUNHOL:

Nirlyn Seijas es una chica bailarina que coneci en lo Festival Panorama de 2007.

Nosostros nos vimos novamiente en el encontro de la red sudamericana de danza año pasado no FIRD.

Siempre ficávamos imaginando en danzar juntos un día.

Yo mostré a ella el TTA project y después nos interesamos de trocar alguns vídeos también para uno posible TTA nuestro.

Bueno, ella mandome hoy su promeiro vídeo que tiene parte de un ritual que se llama Saia Afroboliviana en Corico, Bolívia. Una manifestación casi perdida de las pocas comunidades negras de Bolívia.



abajo lo video (yo e Nirlyn seguimos trocando hasta termos material para uno TTA):



muy contento de empezar esta troca:


elielson

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Yvonne Rainer em Sao Paulo





A coreografa e bailarina americana Yvone Rainer (75 anos), vem a Sao Paulo semana que vem para uma semana de varios espetaculos novos e antigos, palestras e workshop, trazida pelo SESC-Pinheiros.


Um dos mais importantes nomes da danca mundial ainda em plena atividade de criacao, ela criou junto com outros coreografos o movimento da Judson Church em New York, em 1962, movimento esse que transformou definitivamente todos os parametros da dança feita no mundo e deu inicio ao que chamamos hoje de pos-modernidade, ou contemporaneidade, na dança.

Tive o prazer de ve-la dancar e falar em 1988, quando era aluno da SNDO de Amsterdam e ela veio visitar a escola, mas ja fazem 21 anos e certamente o mundo mudou muito nesse intervalo de tempo.

E ela continua na ativa de uma dança desenfreada, dança politica, desenraizada de discursos e esteticas, com o selvagerismo dos tempos pos-modernos.

O Manifesto escrito por ela em 1965 ainda vale pra nos?

Não ao espetáculo,

não ao virtuosismo,

não à transformação e magia

e ao faz de conta,

não ao glamour e à transcendência da imagem da estrela,

não ao heróico,

não ao anti-heróico,

não ao lixo metáfora,

não ao envolvimento do intérprete

ou do espectador,

não ao estilo,

não ao camp,

não à sedução do espectador pelos artifícios do intérprete,

não à excentricidade,

não ao mover ou comover,

não a ser movido ou comovido.

(Yvonne Rainer)

marcelo evelin

Terça-feira, Julho 07, 2009

i


Voltando do encontro de coletivos em Recife (Conexões Criativas)
pensei em como é bom esse tipo de coisa.
Discutir sustentabilidade, articulação de parcerias,
estratégias de marketing, etc..

Mas....

Confesso que voltei com mais perguntas do que respostas. (Que bom!)
Tenho dúvidas se é mesmo para tooodos os artistas participarem desse tipo de discussão já que lá quase não se discutiu o “fazer artístico em coletivo” propriamente dito (talvez por falta de tempo).
Será que profissionalizar o setor também não é botar os "pingos nos is" sobre quem faz o quê, e como? No fundo, sei que estamos lutando por nossa fatia na sociedade, o que não é mal, mas se todo mundo se ocupar com isso quem vai “criar”?
Todos tem que participar de tudo até um certo ponto, né?.

Botando os pingos nos is..

Criação _______________________ Artistas

(Preencham o resto...)

Estratégias de marketing ___________ ...
Discussão teórica _________________...
Captação de recursos/parcerias______ ...
Articulação em redes virtuais_________...

Mas, por outro lado, é claro que:

ARTISTA TEM QUE LER SIM !
PRODUTOR TAMBÉM CRIA !
TEÓRICO TAMBÉM PAGA CONTAS !
PUBLICITÁRIO PRODUZ CONHECIMENTO !

Mas fica parecendo que SÓ criar não dá. Sair da limusine para o palco !? Moon walk!? qualquer um faz.. isso não é trabalho. Acho que temos um sutil complexo de “inferioridade burocrática” dentro da sociedade. Precisamos arrumar serviços burocrático-político-teórico-institucionais para termos a sensação de que também somos importantes advogados, sei lá.

Daqui a 20 anos:
SACO – Sindicato dos Artistas Contemporâneos
CRIA – Centro Recreativo dos Intervencionistas Anônimos.

Teve uma época que caiu aquela ficha pra mim de que todo mundo é “artista”! Um piloto de Fórmula-1 é um “artista”, um pai de família que ganha salário mínimo é um “artista”, mas, vai um artista resolver abrir um consultório médico..... CADEIA !
Então mamãe, vamo separar as coisas.

Vou ter que admitir que a minha vó talvez tivesse razão. A única maneira de ser artista com total liberdade é ter outro emprego que pague as contas. Porque já estamos de qualquer maneira cumprindo funções paralelas às de artista! ou não? Eu confesso que nunca imaginei, a partir da escolha que fiz lá no tempo do vestibular, que ia ter que mexer com tanta papelada e burocracia.
É um pouco estranho, apesar de saber que alguém tem que fazer o trabalho sujo. (rs)

(Statements)

- Organização em coletivo não é IGUALDADE
- A militância política já está contida no fazer artístico
- O emprego do artista é tão necessário como qualquer outro

...o que quero dizer é que eventos como o Conexões Criativas são importantíssimos.

Parabéns à equipe e aos grupos que participaram!

Bjos
Sérgio

Domingo, Julho 05, 2009

Conexões nassais

Como lidar com o confronto alimentado entre a arte como a prática subjetiva do artista e as novas formas de organização desse lugar criativo?

Eu poderia aqui, lançar mão de tantas outras questões e considerações que talvez porventura viessem a contribuir para o funcionamento e entendimento de uma esfera coletiva. Mas sei que não se trata apenas de criar indagações ou encontrar um número considerável de resoluções. Até por que estou preocupado com uma questão tão pessoal que talvez eu possa vir a ser questionado por minha falta de altruismo para com um grupo de pessoas que escolhi para conviver e trabalhar.
Digo isso pois nesse momento o que me vem sempre à cabeça e que me motiva agora, é basicamente uma relação de entender o que faço, de me situar como artista nesse turbilhão de transformações que a arte contemporânea intrinsecamente carrega consigo. Sinto cada vez mais a necessidade de lançar mão daquilo que faço para entender justamente aquilo que faço com o meu corpo. Esse mesmo corpo que pretende agir políticamente, sensívelmente, falar, comunicar, tocar, dançar, fazer sexo, etc...

Mesmo assim, com tanta clareza do que penso e quero nesse momento, alguém pode ainda perguntar: E isso pode interessar a alguém?

Talvez! Mas pra mim a grande questão não é simplesmente ser interessante pra alguém ou agir com o intuito de legitimar aquilo que faço, pois arte não é uma catequese ou seita. Pra mim tem haver exatamente com o entendimento do que é ser artista, de saber para que veio.

Acho que esse exercício de tentar entender isso, pra mim está sendo válido pois é onde encontro forças para dizer o que quero e penso. Cabe sim ao artista repensar sua maneira de agir na sociedade, e cabe a ele também entender como funciona a sistematização dessas idéias, como ele pode alavancar uma idéia para tarná-la concreta, como a logística de funcionamento na sociedade pode se tornar de alguma maneira mais eficiente.

O artista não é aquele que se prende a utopias criativas e sim aquele que desfaz as utopias de maneira concreta e as transforma em arte.

São questões que trago como reflexo das experiências vividas em Recife, de entender que aquilo que faço, na hora em que faço, nesse momento se torna o mais importante em meu trabalho, mas conciente de que se deve costruir um entorno, com engajamento, entendimento da arte como uma forma de alargamento do pensamento de uma sociedade e o compromisso em se manter vivo um organismo ou organização pela e para a arte.

fagão

Sexta-feira, Julho 03, 2009

A ação da preparação

Recife, 03 de julho de 2009, 17:00h, um grupo de 4 mulheres, bem vestidas atacaram uma pilha de lixo sem explicação.Os olhos delas brilhavam, e se via muita satisfação e alegria, como se ali houvesse um tesouro perdido.As pessoas que passavam por perto , não compreendiam o que aquelas”moças” de boa aparência buscavam no lixo. Parecia uma brincadeira, todas se deliciando no meio do entulho. Mas havia muito cuidado na seleção das peças, que eram escolhidas delicadamente, dentre aqueles sacos pretos cheios de pedaços do lixo, como se fosse tomate numa feira.

Um flash para registrar o momento (Jana estava tirando a foto).

Quando começamos não nos demos conta do que instalamos ali (esquina da rua da moeda, em frente ao marco zero, ponto turístico da cidade do Recife de grande fluxo de pessoas). Eu( Weyla), Cleyde, Janaína e Danielle estávamos procurando lixo para o MEFISTO BRASILEIRO, solo de Fabio Crazy, que aconteceria logo mais a noite. Não pré-organizamos uma ação, apenas saímos pra procurar aleatoriamente.Foram aproximadamente 40 minutos pegando uma coisa daqui e outra dali. Até que encontramos um montão de lixo, que nos pareceu ideal pra o tipo que procurávamos. Danielle falou algo como :-que lixo massa! Que lixo chique.

Não deu muito tempo perceber bem a reação das pessoas que passaram por ali. O pouco que vi, foram algumas mulheres assustadas e o guarda do prédio em frente ao local, que saiu e ficou assistindo de camarote.

POSE PARA A FOTO FINAL (Jana estava tirando a foto).

Logo nos veio a relação com o paisagens do corpo, o homem no saco de lixo, Alexandre, a dama do busão, Weyla e o Mefisto que naquele momento que aguardava as oferendas (lixo) pra arrumar o cenário.Voltamos pro teatro pra terminar o ensaio e organizar os detalhes da apresentação.

Weyla Carvalho

Comentario que virou Post > marketing > arte > nulidade


Para ser lido depois do Post " Terceiro dia, e Contando..." da Dani Soares, e depois do Comentario da Layane Holanda no mesmo Post.

O post é esse!
link imagem

muito bom o texto dani, tem critica, humor e noticia, tudo do que precisamos.(precisamos desses pufs tbem gata, ja faz tempo).

teu comentario faz todo o sentido layane, ta fundamentado, mas eu fico querendo trazer uns outros pontos pra essa coisa de "formar plateia", so pra engrossar o caldo.

1-eu acho que a ideia em si tem sim algo de colonizador, pq subentende que "eu artista" tenho algo pra dizer/mostrar que e' muito importante pra "vc publico".

2- toda estrategia de marketing/mercado esta baseada em fazer "vc publico" sentir necessidade ou adquirir uma necessidade (o que ainda e' pior pq passa pela alienacao pelo produto) pelo produto. nao existe ai nada de "organico", e' manipulacao mesmo, tipo lavagem cerebral. ai as grandes marcas vendem horrores e devolvem ao mundo a ideia de que agora somos mais lindos e mais felizes pq estamos em nossos peugeots, nokias, omos ou frees. O pior dessa estrategia e' criar desejo camuflado de necessidade, ate que o desejo passe a ser mesmo necessidade, e ai bingo! sucesso total! para os estrategistas.

3- eu pessoalmente (la do fundo da minha insignificancia) tenho achado que talvez arte nao tenha que se relacionar de maneira nenhuma com mercado, estrategias ou qualquer uma dessas coisas.

sera que nao estamos compreendendo arte demasiadamente como produto, tentando criar uma especie de "necessidade valorada" (todo mundo tem que consumir)?

sera que nao estamos valorando e acreditando no que fazemos apenas relacionado a qto ganhamos, onde apresentamos, qtas pessoas na plateia?

e sera que nao existe algo arrogante e prepotente mesmo, no fato de eu querer que o maior numero de pessoas venham ver o que eu faco, assim como o dono da sandalia havaiana querendo que o mundo TODO use havaiana?

no caso do dono da havaiana e' compreensivel: mundo todo com havaiana no pe=muita grana.

sera entao que essa discussao toda e' pq queremos ter mais grana, mais poder financeiro com nossa arte? e' isso? se for precisa ficar mais claro.

mas eu acho que deve ser outra coisa, e vou me arriscar aqui: eu acho que tem uma especie de "complexo de inferioridade" nos fazedores de arte com relacao a essa obsessao pelo teatro cheio. eu acho que tem um desejo de ser amado e uma magoa por nao ser amado suficientemente (pq 2000 pessoas me assistindo, ou melhor amando, e' diferente de apenas 30 ne?).
parece pra mim que nao estamos completamente certos do que fazemos e precisamos da aprovacao do "conjunto social" (de preferencia diversificado) exatamente como qdo as criancas fazem suas gracinhas para toda a familia aprovar. a plateia cheia virou termometro de qualidade, nem que seja qualidade de marketing, como no caso debora colker, por exemplo.
e pra mim qualidade nao ta ai.

tem uma coisa carente, coitadinha, no artista que ta preocupado com casa cheia, parece que vem pra substituir um desejo de fazer novela da globo, e ai sim, e' a gloria pq todo mundo vai me reconhecer na rua, entao a "arte" da juliana paes e' o que ha de mais importante para a humanidade pq 100 milhoes de brasileiros acessam anestesiados todas as noites. tem uma coisa de ego dissimulado ai, escondido atras de um discurso cristao (que dita: quem acredita vai pro ceu, o resto vai todo pro inferno).

eu tava andando na rua com um jovem amigo filosofo falando de arte, estrategias, mercados, conceitos, etc. ele parou um momento e com cara de saco cheio me disse assim:

marcelo, arte tem que ser feita pq vc quer fazer, pq nao pode viver sem, pq tem que ser feita pra preencher o "teu" espaco de nulidade nesse mundo, nao tem nada a ver comigo.

me chocou mas me tirou dessa falsa discussao contemporanea sobre arte, mercado e meu cu.

arte sempre foi um prenuncio/baldrame para o que ainda nao e' e nao esta, sempre representou a insistencia da banalidade em nossas vidas, da nao funcionalidade em nossas vidas, o eterno embate do nao sentido subsistindo.

mas agora os artistas se juntam e ao inves de falarem de como fazem para juntar a etica aa estetica em seus trabalhos, em como produzir promesas de felicidade para "si mesmo" (pelo menos), se lancam em interminaveis tentativas de como fazer dinheiro ou de como serem amados incondicionalmente pelo maior numero de pessoas.

sao so algumas consideracoes, sem ofender nada nem ninguem.

marcelo evelin

Interface


Em termos estritamente técnicos, a interface, como se sabe, geralmente é considerada um dispositivo que permite a troca de informações entre sistemas que podem tanto ser da mesma natureza - por exemplo dois computadores- como de naturezas diferentes - por exemplo, o computador e o usuário. Ela estabelece assim um canal duplo de informação entre o homem e a máquina: por meio de órgãos de entrada e saída de informações (imput e output), a interface permite que a ação de um homem, desde a mais simples, como apertar o teclado, seja reconhecida, processada pela máquina e devolvida ao usuário.

Para que seja possível uma comunicação homem/máquina, portanto, é necessário um elemento que funcione como tradutor das informações transmitidas pelos usuários à linguagem do ordenador. Nesse sentido, pode-se dizer que a relação governada pela interface é uma relação semântica, já que é possível "traduzir" as informações dadas pelos usuários em uma linguagem que o computador entenda - em código binário, em linguagem matemática e numérica. (...) Lev Manovich, em seu ensaio "Post-Media Aesthetic", chega a afirmar que a história da arte é mais que a história de suas inova ções estilísticas: é também a história das novas formas de interface produzidas pelos artistas-cientistas. O autor afirma que a interface é, alé, de um dos elementos primordiais da sociedade informática, um fator que permite romper com a velha dicotomia entre forma e conteúdo, uma vez que, para ele, "o conteúdo e a interface mesclam-se de tal forma que não podem ser mais pensados como entidades separadas". (...)


A popularização do computador e o advento da internet, fizeram com que as experimentações com os recuros computacionais se ampliassem, trazendo ao campo da arte diferentes formas de expressão. Ciberinstalações, cibercenários,ambientes imersivos, sistemas multiusuários, telepresença, teleperfomances, intalações e perfomances digitais, net-arte, robótica, vida artificial, arte transgênica, propostas estéticas que utilizam comunicação sem fio, trabalhos on-line e off-line sao algumas das formas pelas quais os artistas contemporâneos vêm trabalhando com a mídias digitais (...).

Obra e sujeito interfaceados


Um ensaio obrigatório para a discussão da interface é "The World as Interface", de Peter Weibel, que descreve o mundo a partir da noção de interface. Para trabalhar nessa idéia, Weibel apóia-se nos princípios da endofísica (...) que defendem a idéia de que o observador sempre faz parte daquilo que observa, não existindo uma separação rígida entre o observador e o que é observado. Para a endofísica, portanto, não existe uma objetividade independente do observador (...). Para Weibel somos parte de um sistema: entender o mundo significa percebê-lo apartir da noção de interface. "As mudanças no mundo ocorrem de acordo com nossas interfaces. As fronteiras do jmundo são os limites de nossa interface" (...).

Weibel emprega o termo interface em um sentido mais amplo, superando uma visão estritamente técnica e estendendo-o à relação homem/mundo. Mais que restringir a interface à troca de informações entre homem e a máquina, em um modwelo estímulo/resposta, imput/output, trata-se de entendê-la como um processo de fluxo de informações entre domínios em um sentido mais amplo. A constituição de uma interface, de uma via de comunicação entre domínios, não implica a eliminação de superfícies ou camadas que se imterpõem entre eles. É antes, um processo de adição de camadas que potencializa a comunicação, a conexão e as trocas. A interfaceé asim considerada, como uma espécie de membrana que, entre dois ou mais domínios, os aproxima, permitindo uma osmose, uma influência recíproca entre as partes(...).

Ampliar a noção de interface para outros domínios, permite
-nos repensar as relações obra/público da produção artística em mídias digitais(...) {somente?


Ao logo da hist
ória da arte, a produção artística sempre foi definida como imitação da natureza. A crise desse conecito, já em fins do século XIX, levou os artistas a buscar novos paradgmas estéticos. Paralelamente à crise da representação, houve o rompimento com o ideal de contemplação do público em relação ao objeto artístico. As artes participativas evidenciaram essa idéia, nostrando que a obra de arte é muito menos o objeto em si que a relação que se estabelece entre o público e a obra. As artes em mídias digiais dão continuidade a essa proposta , colocando em debate o cárater processual e contextual da prática artpística. As artes interfaceadas, permitem explicitar a idéia de que a obra se realiza sob uma visão contextual a partir da relações estabelecidadas com o interator. Christa Sommerer e Laurent MIgnonneau afirma: " Por meio de nossas várias obras de arte interativas, criamos trabalhos que não são mais estáticos ou predefinidos. Tornam-se, em vez disso, um sistema vivo, semelhante a um processo" (...).

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1,2,3 meia e já...esse é um ponto de partida.
Que questões podem surgir daí?


L.H. {resuminho > @rte e mídia: perspectivas da estética digital/ Priscila Arantes
Para: TTA Project | Mefisto | link imagens.

p.s. Agora imagine todo mundo numa lan house usando a versão lá de cima do opera como navegador (kkkkkkk).

Terceiro dia, e contando...



Refeições e discussões fartas. República Cênica, Couve-flor, Núcleo do Dirceu, Sua Cia, Dimenti e Lugar Comum. É bom chegar de manhã e se jogar num chão de tapetes, pufes e travesseiros, com cabeças, penteados e pensamentos diferentes. São muitos oxentes, vixis, leitê quentê faz mal pro dêntê, bem aís e afins se entrecruzando em Recife.

E dessa mistura toda, por mais que as respostas e resoluções definitivas sejam inexistentes, as interrogações saltam de lá pra cá o tempo todo pela sala. Estratégias de Marketing ou mudança de estratégia – o que faz a diferença para se formar uma platéia? O que é formar uma platéia? Não seria uma idéia a principio imbuída de certa dose de arrogância?

Quando os gestores não sabem mais o que propor diante de necessidades artísticas tão diversas, os coleguinhas de conexões já tiveram que mostrar aos fazedores de edital o que exatamente devia ser proposto. E funcionou.

Ainda é preciso explicar a “formadores de opinião” que a dança contemporânea tem o papel sim de quebrar distâncias – principalmente entre um Deus vistuoso em suas movimentações e flexibilidade inalcançáveis e quem está na platéia. Que por sinal, não raras as vezes é perfeitamente capaz de fazer o que vê em cena.

Hoje a noite foi deliciosa – Dimenti e Núcleo do Dirceu. E todos os outros também, num Tombé que passeava um pouco por tudo o que se viu até agora nesse encontrão da Veneza tupiniquim. Hoje eu também consegui ver por alguns momentos, pela primeira vez, o Zé-Pilintra-Mefisto-Fausto-Brasileiro do Seu Crazy da Silva. E se com “farinha pouca meu pirão primeiro”, ou por outro lado “mamãe bote o meu”, vamos lá que amanhã (ou mais tarde) tem é mais.

Dani S.
Fotos: Jana Lobo

Quinta-feira, Julho 02, 2009




Jamila

Nem tudo é politíca. Ou é? > o fenômeno dos coletivos.

Tem um fenômeno esquisito acontecendo. É só prestar atenção:

Em Roma dezenas de pessoas sequestram um ônibus, e armados de aparelho de som começam lá dentro uma festa. Interrogados afirmam ter o mesmo nome: Luther Blisset. Em Nova York, surgem placas sinalizando lugares históricos sombrios, como o mercado onde se leiloavam escravos. Cidades dos pampas da Amazônia são invadidas por placas de trânsito adulteradas, parequedistas de brinquedos caindo de arranha-céus e milhões de adesivos caseiros multicoloridos. Em Belo Horizonte abre-se uma loja grátis. No Norte da Itália aparece um gigantesco coelho felpudo de 55 metros de altura com tripas coloridas para fora.


A conexão entre esses acontecimentos?
Todos eles são obras de coletivos.

Assim começa a matéria do mês de junho da SUPER Interessante. Com ajuda de Ronaldo Lemos, Denis Russo Burgierman, traça um breve e delicioso panorama sobre essas organizações que surgiram nas artes visuais e tem raízes lá pelos 1910s. Aqui você tem algumas opções:

> Ir para matéria completa (vale a pena!).
> Ir para o resumo com fotos e links dos coletivos.
>Ou ...UI!!! Ler o post mastigadinho, um resumão que eu não me contive em fazer da matéria do Denis!

INVERSÃO DA ORDEM

Coletivos são grupos de pessoas, geralmente sem vínculo formal, geralmente construíndo coisas grandiosas, geralmente fazendo algo que pode ser considerado arte, mas geralmente rejeitando o rótulo de "artistas".

O Luther Blisset reunia mais de 400 artistas e escritores europeus que, entre 1994 e 1999 se dedicaram a inventar histórias falsas para enganar a imprensa e mostrar como os jornalistas são incompetentes. Depois que se desfez, 5 membros fundaram o Wu Ming, coletivo italiano que escreve romances de sucesso. O RepoHistory era um grupo dos anos 90 dedicados á recuperação de passados perdidos (das placas lá de mercado sobre escravos). O Critical Mass, sem líder e reinvindicação clara (e sem site oficial), promove invasões ciclísticas mensais há 17 anos em quase toda grande cidade do mundo. Lógica parecida com a do Improv Everywhere. O Coelho gigante, que vai ficar apodrecendo até 2025 numa montanha italiana, foi feito com lã e palha pelo coletivo austríaco Gelitin. O coelhão, pode ser escalado e explorado como se você fosse um verme num animal em decomposição. Tecer o coelho levou mais de 5 anos e a obra é um comentário sobre a decadência. (Vê no google maps)

A HISTÓRIA E A INSPIRAÇÃO

Ronaldo Lemos, conta que coletivos não são "novidade" e que num certo sentido eles sempre existiram: qualquer grupo compartilhando um processo criativo é um coletivo. Mas o fenômeno que agora explode tem raízes em 3 movimentos: o dadaísmo, o construtivismo e o surrealismo. Esses movimentos possuiam, manfestos, reuniam artistas em torno de um projeto coletivo e possuíam um cárater contestador. Não apenas propunham um estilo artístico novo, punham em questão o próprio conceito de arte (ver: Marcel Duchamp>urinol > arte conceitual).



Aííí...a 2ªGuerra começou, terminou e, ao fim ela, o mundo estava dividido em dois: capitalstas e comunistas. Era a Guerra Fria. Começaram a surgir coletivos que davam um passo além: eles não queriam apenas mudar a arte, queriam mudar o mundo.O exemplo mais radical foi o dos situacionistas, influenciados pelo marxismo, que ajudaram a começar a revolta estudantil de maio de 1968 na França. Aííí...o muro de Berlim caiu e na pós-Guerra Fria o discurso marxista foi abandonado.

Bem, hoje muitos coletivos são influenciados por um escritor americano chamado Hakim Bey, hoje com 64 anos, ele criou o conceito de "Zonas Autonômas Temporárias-TAZ ". (baixa o livro em pdf) . TAZ são espaços nos quais vigoram regras diferentes das do resto da sociedade. E em vez de tentar mudar o mundo inteiro, os coletivos passaram a criar espaços alternativos, que servem para experimentar novas formas de viver e para influenciar os outros lá fora. Cada coletivo, por esse ponto de vista, é uma TAZ, com suas regras e idéias próprias.

NEM TUDO É POLÍTICA. OU É?

Flooded McDonald's from Superflex on Vimeo.

Os Coletivos mais interessantes são aqueles que questionam o mundo, a arte, a política, a economia, mas sem fazer discurso, apenas agindo. É o caso do Superflex, formado por três artistas dinamarqueses, sendo que um deles, Bjorn Christiansen, mora no Brasil. Tudo o que fazem é um comentário crítico sobre o capitalismo, mas não necessariamente contra ele. Um exemplo é a cerveja grátis, cuja fórmula é aberta (open source) e disponível a qualquer pessoa no mundo que queira fabricar a bebida. Eles também produzem guaraná na Amazônia. Quando os caras foram por lá perceberam que a produção era controlada por um punhado de grandes empresas de refrigerante, que pagavam pouco aos agricultores pelo fruto do guaraná. Aí resolveram lançar seu próprio refrigerante, batizado de Guaraná Power (a bienal de sampa até vetou a obra dos caras aqui, lembra?).

Os artistas fizeram contatos com produtores, montaram fábrica, articularam com comerciantes na Europa e lançaram o poduto com propaganda no Youtube ironizando a linguagem publicitária. Os lucros vão inteiramente para o agricultores da Amazônia.

Os artitas do Superflex não chamam esses projetos de "obras de arte", eles preferem o termo "ferramentas", porque são coisas que podem ser usadas por outras pessoas para alterar o mundo. Esses projetos estão em museus e bienais mas também são empresas, marcas, empreendimentos capitalistas. " É um absurdo você não querer ser parte do capitalismo", diz Bjorn. "Capitalimso é um fato. O que podemos é tentar mudar o sistema entrando nele".




O QUARTO SETOR: AS PESSOAS


E por aqui? Os coletivos brasileiros de intervenção urbana são centenas, interessados em espalhar sua mensagem pelas ruas, em vez de abandoná-las em museus desertos. A loja grátis, instalada num mercado decadente de BH, na qual qualquer um pode deixar e pegar o que quiser, úm projeto do Ystilingue. E a idéia de coletivo está vazando da arte para o resto da sociedade. O designer mineiro Helder Araújo tem duas duas empresas - a Webcitizen, que usa a internet para aproximar governo e cidadãos, e a Spix, que faz o Busk.com, um bucador de internet que doa 1 grama de alimento a cada busca. Nenhuma dessas empresa tem sede com funcionários batendo cartão - pagam impostos e têm registro juridíco mas funcionam como coletivos. E há outros exemplos, Daniel Nunes é um jornalista que faz parte de um coletivo, cujo objetivo não é produzir nem arte nem dinheiro: é administrar um sítio de 46000 metros quadrados (tá !! rsrs).A propriedade saiu baratinha pra cada um, as tarefas foram divididas em 8 grupos e todo mundo é responsável por um desses assuntos e co-responsável por outro. Asim todo mundo é chefe e funcionário ao mesmo tempo e ninguém é superior a ninguém. É uma TAZ. Isso sem falar nas organizações virtuais como o Grupo Microfobia e o tal Hacktivismo.

O próprio jeito coletivo de trabalhar é, de certa maneira política - porque contém uma crítica ao individualismo, que é a regra do mundo de hoje. O coletivo paulista Ciadefoto ao assinar coletivamente suas fotos, incomodam um monte de fotógrafos que acham que autoria é uma conquista da profissão.

Historicamente, os únicos jeitos de empreender grandes projetos têm sido criar uma empresa, cooperativa ou apelar para o governo. Isso está mudando rápido. A internet tornou possível juntar muita gente em esforços conjuntos, sem gerentes. " Estamos vivendo um aumento impressionante na nossa capacidade de compartilhar, cooperar uns com os outros e gerar ação coletiva", escreveu o teórico da internet americano Clay Shirky, no livro Here Comes Everybobdy (Aí vem todo Mundo).

No fundo a Wikipedia e o Linux também são coletivos. E o Superflex, embora nao tenham nascido na internet, se beneficiam de um mundo onde é possivel articular ideias grandiosas sem governos ou empresas (ufa!!). Enfim tudo é parte de um mesmo fenômeno.

Mas e por quê? Segundo Denis, a melhor resposta foi a do Bjorn Christiasen, do Superflex. "Porque os sers humanos são animasi sociais. Vivemos melhor em grupo. Nossas ideias são melhores em grupo, porque já nascem testadas e criticadas". Visto por esse prisma, nada indica que a pandemia de coletivos esteja em vias de enfraquecer.

L.H.
SUPER Interessante
junho-09 Denis Russo Burgierman

Já falei antes né: bijari.