Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

A ÁRVORE QUE NÃO ERA A GENEALÓGICA



São Joaquim. MG. 14 de dezembro de 2009.

Daqui desta pequena e importante parte do planeta a natureza dá sinais de enfraquecimento. A temperatura está desregulada, a chuva escassa e no meio de outros problemas, as árvores caem sem parar.
A partir deste ponto entra em cena uma Gameleira de aproximadamente 70 anos e que reinava na praça local que passa por transformações e não teria o mesmo charme se não tivesse esta personagem verde, gentil e conhecedora da vida e morte de muitos habitantes, visitantes e outros sem destino.
Esta árvore significa mais do que se imagina. Além de propiciar sombra para animais e homens, de ouvir segredos, etc; testemunhou o crescimento de uma geração de descendentes dos seus contemporâneos humanos. Agora um grande espaço se abre na memória, visão, negócio, ócio e tato de boa parte dos homens e mulheres sensíveis e muitos insensíveis à gravidade deste fato.
Recado claro de quem sofre mais fatalmente a este estupro ecológico que presenciamos e praticamos diariamente. A natureza.
Quando mata-se as raízes é isso que acontece. Não há como resistir às mudanças climáticas que surpreendem e assombram devido a força e maneira como acontecem.
O mundo se reuniu em Copenhague para discutir os problemas do clima e descobrir novos modos de cuidar e preservar a terra antes que 2012, o filme, aconteça concretamente.
Resultado: frustração.
A intrasigência, prepotência e pseudo-superioridade de alguns países, na maioria ricos impediram que aquela reunião servisse de perspectiva para ares novos e paradigma às próximas gerações descendentes desta que vivemos, que fica mais feia, pobre e com menos oxigênio.


marber r.

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Peter Pál Pelbart


Elementos para uma cartografia da grupalidade
Peter Pál Pelbart


Para pensar a questão da grupalidade, pretendo oferecer alguns tópicos conceituais distintos, inspirados em diferentes pensadores. Não posso, aqui, aprofundar nenhum deles, será uma evocação supersônica de cada um, talvez um pouco selvagem. O propósito é que cada um escolha, disso tudo, o que mais lhe interesse para pensar a questão dos grupos, deixando de lado o resto, e componha sua problemática segundo suas necessidades.


Indivíduo, potência
Cada indivíduo poderia ser definido por um grau de potência singular e, por conseguinte, por um certo poder de afetar e de ser afetado. Deleuze gosta de dar o exemplo do carrapato, que busca o lugar mais alto da árvore, depois se deixa cair quando passa algum mamífero, e se enfia debaixo da pele do animal, chupando o seu sangue. A luz, o cheiro, o sangue – eis os três elementos que afetam o carrapato. Ele pode ficar um tempo longuíssimo na espera jejuante em meio à floresta imensa e silenciosa, depois ploft, o festim de sangue, e depois quiçá a morte. Então o que é um carrapato? Ora, ele deve ser definido pelos seus afectos. Como fazer a cartografia de seus afectos? Como mapear “etologicamente” os afectos de uma pessoa? É óbvio que os afectos de que é capaz um burocrata e um dançarino não são os mesmos. O poder de ser afetado de um burocrata, basta ler Kafka para ter uma idéia claríssima. E a capacidade de ser afetado e de afetar de um artista, qual é? Será que a de um dançarino é a mesma que a de um ator? Será que a de um acrobata é a mesma que a do jejuador? De novo Kafka, vejam-se aqueles pequenos contos sobre artistas, em O Artista da Fome, por exemplo.


Então somos um grau de potência, definido por nosso poder de afetar e de ser afetado, e não sabemos o quanto podemos afetar e ser afetados, é sempre uma questão de experimentação. Não sabemos ainda o que pode o corpo, diz Espinosa. Vamos aprendendo a selecionar o que convém com o nosso corpo, o que não convém, o que com ele se compõe, o que tende a decompô-lo, o que aumenta sua força de existir, o que a diminui, o que aumenta sua potência de agir, o que a diminui, e, por conseguinte, o que resulta em alegria, ou tristeza. Vamos aprendendo a selecionar nossos encontros, e a compor, é uma grande arte. A tristeza é toda paixão que implica uma diminuição de nossa potência de agir; a alegria, toda paixão que aumenta nossa potência de agir. Isso abre para um problema ético importante: como é que aqueles que detêm o poder fazem questão de nos afetar de tristeza? As paixões tristes como necessárias ao exercício do poder. Inspirar paixões tristes – é a relação necessária que impõe o sacerdote, o déspota, inspirar tristeza em seus sujeitos. A tristeza não é algo vago, é o afecto enquanto ele implica a diminuição da potência de agir.


Existir é, portanto, variar em nossa potência de agir, entre esses dois pólos, essas subidas e descidas, elevações e quedas. Então, como preencher o poder de afetar e ser afetado que nos corresponde? Por exemplo, podemos apenas ser afetados pelas coisas que nos rodeiam, nos encontros que temos ao sabor do acaso, podemos ficar à mercê deles, passivamente, e portanto ter apenas paixões. E esses encontros podem apenas ser maus encontros, que nos dêem paixões tristes, ódio, inveja, ressentimento, humilhação, e isso diminui nossa força de existir e nos separa de nossa potência de agir. Ora, poucos filósofos combateram tão ardentemente o culto das paixões tristes, mas não por razões morais, e sim por razões, digamos, éticas. O que Espinosa quer dizer é que as paixões não são um problema, elas existem e são inevitáveis, não são boas nem ruins, são necessárias no encontro dos corpos e nos encontros das idéias. O que, sim, numa certa medida, é evitável são as paixões tristes, que nos escravizam na impotência. Em outros termos, apenas por meio das paixões alegres nós nos aproximamos daquele ponto de conversão em que podemos deixar de apenas padecer, para podermos agir; deixar de ter apenas paixões, para podermos ter ações, para podermos desdobrar nossa potência de agir, nosso poder de afetar, nosso poder de sermos a causa direta das nossas ações, e não de obedecermos sempre a causas externas, padecendo delas, estando sempre à mercê delas.

(...)

Texto completo no site do Itaú Cultural, como parte do projeto Proximo Ato, encontro de coletivos de teatro.

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

Nucleo no Oxigenio







O Nucleo do Dirceu no Oxigenio organizado pela Projecta em parceria com o Desaba de Sao Paulo. O Oxigenio é uma serie de 6 encontros, onde relatos, proposicoes, questoes e diagnosticos sao trazidos para compartilhamento de um grupo de pessoas, coreografos, jovens e experientes interpretes, produtores, teoricos, professores, gestores, fotografos e pesquisadores em danca.

Fui convidado para (de alguma forma) apresentar o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Nucleo do Dirceu em Teresina, numa edicao focada em producoes acontecendo fora do eixo, dos centros de producao do pais. Esse encontro sendo o ultimo da serie, alem de propor a minha fala e a de Gal Martins do Projeto de danca da periferia Capao Redondo de Sao Paulo, propunha uma palavra-final-diagnostico do consultor no planejamento e gestao de acoes culturais Andre Fonseca e da critica do Estadao Helena Katz.

O Nucleo tem muita estoria pra contar desses 4 ultimos anos de feitos e reviravoltas, atuando aos trancos e barrancos num formato adaptavel aas situações geradas pelo proprio trabalho dentro de um contexto especifico. Nao e’ dificil fazer esse historico de estrategias e acontecimentos e tentar explicar a forma de organizacao e funcionamento (e as precariedades nessas formas) em 20 minutos. E eu tenho que confessar que me surpreendo com a quantidade de coisas, e nao necessariamente as colocadas na otica do “realizadas” , nao apenas a lista de exitos, mas a profusao de acontecimentos que derivam de um fazer artistico e que afetam o comum coletivo, a sociedade, o cotidiano das pessoas, os conceitos, as eticas e as tantas esteticas que nos rodeiam e que sao a formatacao de nossos mundos pessoais.

Andre Fonseca nos indaga incisivo ao final de sua fala: O que voces estao fazendo em Danca? E para quem estao fazendo? A pergunta fica no ar como a que nao quer calar. Helena Katz recebe a fala e nos aponta o perigo de mais dinheiro atraves de editais e menos responsabilidade total com o que estamos fazendo. Fala de desvincular nossos discursos do simplesmente querer, pedir, exigir para uma compreensao maior do que fazemos e queremos, para reforcar nossa potencia dentro do sistema politico-social atual.

A metafora de uma barraca de feira foi trazida para se discutir outras formas de sustentabilidade. Uma barraca de feira dentro dos dispositivos do poder, para atuar diretamente onde tem voz. Thelma Bonavita se colocou como achando “cafona” depender do poder publico para se pensar em continuar existindo, dizendo que o poder publico financia mas manda junto criterios que determinam a producao, que a institucionalizam de alguma forma.

Fica clarissimo a necessidade e a importancia desses encontros, e o Desaba acerta contundentemente em propor esse ar para nossos pulmoes, essa dose de energia gratuita e compartilhavel por todos, de uma maneira que chega a produzir a materia mesmo de nossas dancas, o destilar de uma subjetividade afetavel, que afeta, que se deixa ser afetada. O encontro acaba em longas palmas que ressoam com uma vibracao de excitacao latente, uma vontade de fazer algo acontecer, de encarar as possibilidades, na compreensao de que estamos juntos, de que somos muitos e definitivamente precisamos agir.





Marcelo Evelin > Fotos > Renato Paschoaleto
Cultura em Pauta > Oxigênio

Domingo, Dezembro 13, 2009

Conga: A Mulher Moderna













HOMEM-MULHER
BICHO-HOMEM
BELA-FERA
FORTE-FRACO
DOCE-CRUEL
VERDADE-MENTIRA
FEIO-BELO
LIMITE-INSANIDADE



bebel frota.

Sábado, Dezembro 12, 2009

MONO CUCARACHA - Lima - Peru

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

E todo sábado tá rolando: AULÃO!



como chegaaaaarr?????





(clica!)

legenda Diet no idança!


É com prazer que apresento a série 7X7, onde convido jovens artistas a escreverem suas visões sobre os trabalhos de outros artistas – neste caso os programados na segunda edição do Festival Contemporâneo de Dança, realizado em novembro, em São Paulo. O intuito é o de criar uma ação sinérgica instigando a análise crítica e sensível sobre a arte da dança por novos artistas que crescem dentro dela. Sheila Ribeiro.

Nossas palavras compõem nossa identidade social tanto quanto nossa aparência e nosso comportamento (…)

(PINKER, 2008, p. 425)

recorte de um contexto.

legenda Diet foi criado em 2000 e através dos anos a obra tem atravessado uma série de reestruturações. Nas primeiras versões, a interpretação do trabalho era de Sheila Ribeiro/dona orpheline e do canadense Benôit Lachambre – coreógrafo, dançarino e intérprete – que fundou em 1996 uma companhia em Montreal, a Par b.l.eux.

As últimas apresentações do legenda Diet aconteceram em São Paulo, Santos e Xangai. O público paulistano pôde assistir a Sheila Ribeiro no Festival Contemporâneo de Dança, na Galeria Olido. No entanto, nesta ‘versão recente’ da obra, foi convocada a presença de um outro intérprete, Elielson Pacheco, membro do Núcleo do Dirceu, importante grupo de dança sediado em Teresina, no Piauí. Curiosamente, a maior parte dos ensaios de Sheila e Elielson foram realizados pela internet. Juntos eles formam o duplo: a garota outdoor.

(...)

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elielson

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Oxigênio - 6° encontro - Modos de Produção + diagnostico final


SEGUNDA-FEIRA dia 14/12/2009 às 19hs

Sexto encontro: modos de produção + diagnóstico final

I. Modos de Produção (parte 2 - produzindo fora dos grandes centros)

A experiência do Núcleo do Dirceu no contexto descentralizado, isolado e estigmatizado da periferia do dirceu na cidade de Teresina, no Piauí. Caminhos, desafios e perspectivas da produção e formação de público na periferia sul da cidade de São Paulo e sua relação com a identidade cultural local.

Oxigenadores: Marcelo Evelin (bailarino, coreógrafo e implantador/coordenador do Núcleo do Dirceu, em Teresina) e Gal Martins (diretora artística da Cia Sansacroma e coordenadora do Núcleo de Artes do Corpo da Fábrica de Criatividade).

II. Diagnóstico final

Diagnóstico da sustentabilidade da produção de dança contemporânea, a partir das questões levantadas pelo Oxigênio.

Oxigenadores: Helena Katz (professora da PUC-SP e crítica de dança do jornal O Estado de S. Paulo) e André Fonseca (consultor no planejamento e gestão de ações culturais e diretor da Projecta).

Data: 14 de dezembro (2a feira), das 19hs às 22hs
Local: Associação DESABA
Praça da Republica, 80/905
Centro - São Paulo

1ª lição photoshop!

4 de 4



BICHO
DEPENDÊNCIA
ALEIJO
ALEIJADO



ANIMAL
INFERIORIDADE
TORTURA
SOLDADO DE GUERRA
SOLDADO FERIDO
VULNERABILIDADE
POODLE
CACHORROS AMESTRADOS



ALGUÉM VEM E TE COME
DESEVOLUÇÃO
MONKEYS-SÍMIOS
BLASÉ
GISÉ
JOSÉ



EROTIZANTE
DESENVOLVIMENTO DO POLEGAR
MOVIMENTO DE PINÇA
TORRE DE CHOPP + TAUBA DE CARNE
PICUMAM
CAVALO




elielson

palavras layane

radiocorpografando












feriado...frango assado...uma tarde quente no dirceu com valério araújo.
radiocorpografando

janaína lobo
[fotos: valério araújo]