Terça-feira, Fevereiro 09, 2010


Chegando ao final de uma segunda fase da pesquisa do matadouro. A primeira aconteceu no primeiro semestre de 2009 - com uma pesquisa em fontes teoricas e uma residencia em Salvador com 20 artistas baianos – e foi financiada pela bolsa Funarte de coreografia.

Essa segunda fase aconteceu com 7 artistas do nucleo do dirceu subvencinada pela lei do SIEC - Governo do Piaui, como tentativa de experienciar esses conceitos, ativar em si a necessidade de amplia-los, corporizar a convivencia em torno de ideias e associacoes, buscar o sentido exato do ato de performar e interceptar o olhar do publico com uma logica deslocada, ou “objeto” refocado.

O espaco do “entre”, tao impalpavel e abstrato, vai tomando forma na retina do reconhecimento. O entre que nao esta fora nem dentro, o entre espetaculo e nao-espetaculo, o entre o que e’ e o que deixa de ser, e finalmente o entre a vida e a morte, ponto de intersecao de um real de fronteiras tenues.

Reverbera o estado de excecao Auschwitiziano, a proclamacao de uma crueldade que passa a modelar nossas formas de acao, comportamento e posicionamento no mundo de hoje. Carne exposta aa barbarie capitalista, corpo “asujeitado” pelos dispositivos assustadores de um poder intrinseco.

Tambem se desfaz como pontos de uma costura historica a insurreicao de Canudos, o nao se entregar pelo convencimento do proprio estado civil. Radiografia social e politica do cidadao brasileiro, guerra pelo o que ja se perdeu, de heroismo, selvageria e civilidade, luta por uma ausencia violada e difamada em vias oficiais.

marcelo evelin
photo > valerio araujo

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Processos no galpão.2010








Processos..
Corpo Radiografado(nome provisório)
Matadouro
Weila.Solo

Fotografia::Valério Araújo

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Corre tola corre! ou, De como eu passei a entender o dopping





O mais dificil sao os primeiros cinco minutos até “envernizar”.O resto é mamão com açucar.Desde os músculos que enrolam até o peito que arde do reflexo Hollywood, o sucesso! Eu sou sucesso! Excesso de acido lático no prejuízo da minha performance estética fisica, onde caldo-de-cana é o red bull da moda terceiro mundista estilo magrelinho. Ladrão que corre atrás do ballet do coreografo brasileiro vacilando na esquina.
Talvez a puta que matou Schubert tambem fosse conterrânea do carrasco.Segundo movimento de resistência de sentido artístico.Gonorréia musical da sinfonia que não termina. A manada de homens corre berrando mais que o boi , ainda que sejam ele.Se o bumbo do groove é grave, grave mesmo é correr com ele nas costas.Sofrimento transmitido em pequenas telas de telefones celulares.Eu tou querendo um tandrilax.De tão quebrado, me deu vontade de roubar.Tou no páreo e já nao tem como parar.Orquestra sinfonica em disparada pra salvar o leite que já foi derramado.Alguém me ultrapassou e não posso admitir.Conflito do indivíduo coletivo que não sabe onde ir.Ancestral da morte é minha sorte de macaco.Corre negada , corre pro terceiro movimento que eu quero mesmo é morrer de amor, mesmo que essa porra doa!

Na altura do quarto eu ja nao sou nada a nao ser eu mesmo, “impessoal e intransferivel”, corpo cor de caixa de papelão. Distorço o espaço como quero embora eu tenha que seguir a estrutura e a coerência, ciência de se deixar morrer com o olho vivo e aberto pra morrer certo. Me esvazia de novo meu boizinho encantado, asassinado a golpes de têmpora no machado.Meu amor liga pro pé-de-pano que eu tou correndo.Posso até chegar primeiro mas quebrado assim, só vou ganhar o Segundo lugar.

Ass: O homem boi que berra de dopping pra dormir.



Fábio Crazy da Silva

Onde fica o matadouro...








Matadouro: metáfora para um lugar existente, onde todos lutam num levante, numa insurreição. Onde talvez não se chegue em nehuma conclusão, mas que insista pelo desejo em existir.
Todo dia é dia para morrer e nascer, como tirar e por uma peça de roupa...

Mesmice: metáfora para a desistência, ou motor para ativar a sede de transformação. A luta aqui se faz puramente por uma necessidade, por uma existência comum ou ainda, simplesmente pelo descontentamento com propagandas enganosas: "iguais na diferença", "Brasil um país de todos".

Eu não sou José Roberto Arruda, mas quero aqui fazer uso de palavras dele e que outr'ora foram do apóstolo Paulo:

"Combati o bom combate, terminei os meus dias e não perdi a minha fé".

[fotos de celular]

.:Fagão:.

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

FAIL – no sistema




Tarefa: Realize movimentos concretos.

Exemplo: sentar, levantar, cruzar os braços.

Atenção!
1)Realize a ação de sentar, por exemplo, de maneira que NÃO REPRESENTE outros significados além de sentar
2)CONCRETIZE a ação de um jeito não-previsível
3)Não preencha a ação com enfeites (entenda a mecânica, não seja mecânico!)
4)É UM movimento e não dois, três
5)Cada ação possui um PRAZO DE VALIDADE. Não esgarce o tempo além do necessário
6)Não especule, afinal de contas, você sabe o que é cruzar os braços. A ficção é realizar a ação ordinariamente. É trabalho de especialista! É cirúrgico! WORK!

Essa foi uma das tarefas feitas durante a colaboration com o Cristian Duarte no processo do corpo radiografado, processo do tuco, processo do get, processo do desktop, processo do x, processo do sem nome, processo do pré-nome, processo do x que nos falta, processo disso que NÃO SABEMOS DIZER PRA QUE SERVE.

Tive muuuuuita dificuldade. Ou colocava enfeites de “dança”, ou usava uma mecânica muito complexa pra fazer a ação simples de acocorar, por exemplo, e ficava perdido ou então acontecia comigo o fenômeno TUCO (que identificamos como: momento em você está visivelmente ausente na ação que pensa que está fazendo).

Fail! Fail! Fail!
É fácil se enganar.

Me senti aleijado com duas pernas.
Não me diverti.
Fracassei.
Não encontrei potência em não-saber.
Fiquei PARALISADO.
Quase APÁTICO.
INCAPAZ.
não estou falando de maneira cênica. me senti REALMENTE impotente.

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O planeta das ações concretas que criamos é frágil.
É necessário dois saberes pra ser/ permanecer vivo nesse planeta:

1) a diferença entre colaborar COM e colaborar PARA.
Colaborando COM você está dentro e partilha dos benefícios e prejuízos. É de dentro pra fora. Colaborando PARA é de fora pra dentro. É ajuda. Você não partilha dos benefícios nem dos prejuízos.

2)a diferença entre um estado de ação/ um estado de reação.
Precisamos nesse planeta de um estado de ação. Precisamos saber o que estamos fazendo.
Se der errado, volta, e começa de novo.
Na REAÇÃO somente um fator externo te faz agir. Alguma coisa acontece e só ai você se move. O disfrute é menor. O conhecimento é menor.

Nesse planeta a dúvida deve se transformar numa ação concreta!

Necessitamos de um comportamento que é assim:
ser protagonista, antagonista, figurante, câmera, roteirista, cabo man etc de nossa própria ação. Devemos estar prontos pra executar qualquer ação.
Sentar, levantar, por a mão na cintura... para não morrer de tédio.
Pra que diabo fazer isso?
O que diabo é isso?

ainda digerindo as duas últimas semanas.




Elielson

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Matadouro! Pink Soldier


Iara nos conta que seu pai foi diretor de um matadouro publico no interior da Bahia. Que os bichos entravam numa fila e eram sacrifiados automaticamente. Nos falou de ritual, o que me remeteu ao ritual satanico do holocausto, e o ritual insurgente de Antonio Conselheiro.
Bebel nos fala do grito dos porcos, alucinantes, parecendo grito de gente, vindos do matadouro em frente a sua casa.
Adler me conta que ate o final dos anos 60, o palacio de Karnak, sede politica do governo do Piaui, mantinha um chiqueiro de porcos em seu quintal, para facilitar o abate dos animais que eram comidos nos jantares oficiais.
Igor descobre na internet que um matadouro em Minas Gerais toca Gabriel o Pensador e Axe Music para os animais antes de serem executados.
O nosso Poeta Torquato Neto vem pro ensaio, pensado reticentemente por nos, pelo abuso bairrista que fazem dele por aqui. Mas nao pudemos resistir ao “ Leve um homem e um boi ao matadouro, o que gritar mais e’ o homem, mesmo que seja o boi”, de exatidao mortal.
O espaco Matadero de Madri abre convocatorias para ocupacao. E’ um espaco cultural multiuso dedicado as artes contemporaneas, implantado em um antigo matadouro publico da cidade.
O Schubert usado no ensaio foi a ultima obra instrumental do compositor austriaco, escrita dois meses antes de sua morte aos 31 anos.
Hitler tambem nasceu em Viena.
O filme “A Good Man” termina com uma alucinacao do homem bom transformado em Nazi, vendo uma orquestra de cordas tocada por homens em um campo de concentracao. Ali eles sao chamados de “itens”.
A palavra-conceito “revezamento” aparece na acao da corrida.
Revezar objetos, funcoes, metaforas.
A linha invisivel se experimenta apenas de um lado, saindo de dentro do espaco performatico e criando uma entrada lateral: Curral, buraco, camara de gas.
O corpo se esfacela no esforco da resistencia, se perde em pedacos, cascas de gente.
O nao-espetaculo deseja acontecer, no lugar do “entre” que talvez seja o “nada”, na luta do ego com ele mesmo.

Marcelo Evelin

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Falta 1 diálogo

César diz:

O espaço quando preenchido torna a coreografia mais dinâmica. para 3 falta 1, precisa no momento pensar sobre preencher o espaço pensando em diversão ou se divertindo sem ser representativo.

"Qualquer programa de movimento bem realizado, não torna visível a ligação entre cada um dos seus componentes".(Helena Katz)

Alexandre diz:

Temos a vontade de superar nosso próprio limite de força. nossa movimentação, nosso chegar e estar presente. tudo gira em um universo de games, brincadeiras infantis,e uma louca corrida sem chegar a lugar algum.

Também envolve sociedade periférica que trata da vida difícil, a verdadeira realidade dos intérpretes.

Cleyd diz:

É importante relacionar o espaço com o corpo e ver como isso se configura na tela de uma câmera ou no visor de um celular. essa jornada de tecnologia diversão e preenchimento da mente o torna algo mais dinâmico, expondo o ser humano mais destruidor, porem destruindo seu próprio espaço.

César, Cleyd e Alexandre.

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

corpordinário II


Testando procedimentos para se chegar na pergunta: que diabo é isso?
É é isso mesmo, não é sobre nada.
Mas sempre comunica. o que queremos dizer? Qual caminho apontar?
Planeta de corpos fracasso, ordinários em suas ações simples, onde são todos protagonistas, figurantes, contra-regra, camera man... ninguém é vítima.
E como fazer/performar isso para não morrer de tédio??
Planeta de comportamento próprio, uma ficção.
São ações simples, concretas, com prazo de validade curto.
Com precisão cirúrgica e coreografica.
ações animais, sociais, abstratas.
procedimentos e tarefas para se chegar a um mesmo material, mas que já se modificou e amadureceu.
O difícil é achar a tarefa certa para chegar onde queremos.
E as diferentes camadas vão sendo solicitadas.

Hoje o trabalho físico foi muito cansativo, difícil.
Mas foi bom sair com a sensação de estar concretizando algo pelo entendimento do corpo e não só do discurso.
Fica mais palpável, vivo.
Mas dá um medo, é mais difícil do que a gente tava pensando.
Processo numa fase ainda nublada, mas já dando pra ver alguns raios de sol apontando caminhos coloridos.
Frustrações e pequenas conquistas.
colaboração feita de x maneiras diferentes.
Cabeça sem muito espaço para pedreiros.
Sendo pedreira da dança.


foto: Valério Araújo
Janaína

Para 3 falta 1

É interessante variar o rítmo, brincar com a idéia de música, da contagem de sentir o movimento mudando de rápido pra devagar, perceber como dar energia trabalhar se sentindo livre.
Fico pensando nessa idéia de resistir, de resistência e fazer uma cena e repetir ela muitas vezes e quando se fala em pensar no público penso o quanto ele pode segurar a ânsia. Trago a experiência da primeira etapa do colaboratório com Cristian Duarte na qual ele pedia pra fazermos uma arqueologia do futuro e imagino um espetáculo que basicamente foi bem hoje no ensaio do trio que eu e césar propomos como exercício e início, onde não se faça nada que não seja correr pelo espaço. Talvez seja mais sobre pessoas, espaço, e resistir porque na vida é o que fazemos mais, como exemplo é o núcleo, estar com as pessoas por interesses comuns ...; ter um espaço para trabalhar, compartilhar ...; e estar resistindo a topo tempo.

Cleyde Silva

A delicadeza em serviço


Elas plantam a terra e projetam prédios, fazem piadas, poemas e são até mágicas, transformam o lixo em jóia e os ingredientes em delícias. Em todos os cantos do Brasil as mulheres estão fazendo e acontecendo. Por mérito delas mesmas. Hoje, mais de 60% das maiores de 16 anos estão trabalhando, número que dobrou em três décadas.
Nos países ricos e de tradição liberal, as mulheres ocupam mais cadeiras nas universidades e inúmeros cargos de gerência e diretoria. Começam também a aparecer no topo da pirâmide empresarial. No Brasil, as mulheres já são a maioria no mercado de trabalho e nas salas de aula. A decisão de compra de 55% dos produtos vendidos no país. Elas estão carregas de responsabilidades, mas ainda buscam seu príncipe e querem ser femininas, dedicadas, sem ser submissas.
Para os cínicos, isso pode significar que, apezar de todos os avanços, continuam escravos dos homem. Mesmo assim elas levam para todos os lugares o jeito feminino de atuar. Mudam a cara do Brasil.
Jovem ou maduras, famosas ou anônimas, casadas ou solteiras, filhas ou mãe, as mulheres ajudam o país a crescer a ser mais humano.

Cleyde Silva