Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Panorama09 :: Janez Jansa :: Life [in progress] (Bebel Frota)

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

ND 1



Existe uma implicação política no que fazemos; mais consciência fortalecerá esta prática. Dela surgirá um lugar de aprofundamento, quase como uma universidade viabilizando a existência dos coletivos, como um estar agrupado mais coerente com o país.
Uma proposição da Helena Katz segue um viés que possibilita uma sustentabilidade dos artistas dentro desses coletivos. Isso triplica a responsabilidade de como seguiremos trabalhando. Principalmente com ética. Posicionamento político com o sentido de ação. Organizar um discurso oral para evitar uma repetição verbal que seja discordante do gesto. O discurso oral ainda não é o discurso da ação e vice-versa.
Não dá para admitir uma esquizofrenia.

Responsabilidade social com o país, sim.
Não deixar que um esquema hipócrita tome conta do trabalho que precisa ser feito, como receber verbas públicas e não realizá-lo. E fazer claro nosso potencial de interferência nesse lugar que ocupamos.
Não trata de ser melhor, mas sair da enxurrada destruidora que carrega muitos grupos, organizações e instituições para a escuridão.

Estudar é uma saída. Um exercício de reconhecimento.
Giorgio Agamben, filósofo italiano, é uma alternativa para entender o contemporâneo, a nossa colocação entre pessoas e em relação às organizações.
O que há para compartilhar é a existência, não há nada mais que isso, completa.
Sabe-se que as estruturas não são a mesma coisa todo o tempo.
Discuta o que precisa discutir.
Defina o que precisa definir.
Faça o que precisa fazer.

É quase antagônico esse lugar de coletivo. Lugar da superproteção e da crítica ferrenha. A avaliação das situações dispensa as pessoalidades, pois é importante manter a dialética no âmbito coletivo. Reconhecer que hierarquia é inerente aos coletivos, mesmo que pareca contraditório.

Qual a nossa ética?
O que é profanação?
Façamos uma profanação dessa idéia de poder da qual somos parte, segundo Agamben.
E tem os conceitos, as estruturas.

Estimular a capacidade crítica das pessoas é um direcionamento viável com o propósito de adequar comportamentos que discordam das atuais necessidades humanas.

marber r.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Nucleo Saco de Pancadas



Surfando na ressonancia das ondas tisunamicas dos festivais de danca. Na profusao quase exagerada de espetaculos, encontros, seminarios, ocupacoes, conversas de bar e festas pelo qual passamos recentemente. Muita coisa pra pensar, pra reconhecer, pra acrescentar a nossos propositos e alimentar nossa vontade. Pra mim o saldo e' positivo, mais que isso, quero dizer que o nucleo esta bem, muito bem obrigado, frente a tudo que pude perceber ali naquelas encruzilhadas de informacoes e realizacoes de modos de fazer tao distintos.

Depois de um ano muito, mas muito duro de roer, ano de perdas e privacoes e desnorteio de todas as sortes, temos que admitir que a resistencia se deu para algum fim, e que nao afetou nossa capacidade de discernimento. Pelo contrario, deu um sentido maior a tudo que vinha sendo perseguido. Ganhamos o pontao de cultura do governo federal, uhaaa! e com essa possibilidade de nos estruturarmos mais realisticamente e dar continuidade ao nosso trabalho, me vem (ainda) a necessidade de mandar mais uma vez a Prefeitura de Teresina tomar la no buraco negro da propria ineficiência, por nao ter sabido reconhecer como legitimo o filho parido e criado por ela propria. Prefiro uma Medeia assassina do que uma mae desnaturada com feicoes de boazinha, a tratar seus filhos como filhos da outra. Mas deixemos nossas filiacoes territoriais em nome do proprio trabalho, do fazer artistico legitimo, aquilo que e' a patria do artista, para alem de qualquer curral de pertencimento no meio do sol quente de rachar.

Mesmo reconhecendo a importancia e contundencia de nossos discursos, de nossas articulacoes politicas e modos estrategicos de organizacoes sustentaveis - que vem servindo de modelo e como diagnostico da situacao geral das artes no pais Brasil - prefiro o que vejo e pressinto nos corpos quando dancam, quando cessam as retoricas muitas vezes pervertidas pelas inteligencias formatadas e se lancam no simples dancar. E' no dancar que os discursos do dia a dia - tao impregnados de palavras-chave da contemporaneidade - tomam a forma do sentido, e ampliam o cenario de nossa propria existencia como nucleo-coletivo-de-um-estado-pobre-do-brasil-terceiro-mundista. A danca so nos serve pra modificar, reverter condicoes e situacoes emergenciais, e e' ai mesmo que estamos operando.

Nao pude ver a Bebel amarrada em correntes e nem o Jacob se asfixiando com sua mascara de plastico. Mas sao metaforas potentes da situacao e tenho plena certeza desses propositos tao precisos e coerentes. Vera Manteiro, a coreografa portuguesa, pega o aviao pra Lisboa depois de ver o Jacob e manda de la uma mensagem enorme para um amigo com imagens das sensacoes do solo que acabara de ver. Bebel e' convidada para tirar da propria vagina a declaracao dos direitos humanos na expo do artista esloveno Janez Jansa e me surpreende a retirada desse tratado do lugar mesmo de onde saiu originalmente.

Wilena apresenta um corpo que se debate com um saco de pancadas, oscilando em movimento descompassado em torno de um eixo e de um foco de luz. Um "jogo de dentro" transposto, tirado muito inteligentemente do que era para o que passou a ser. O corpo luta, espanca o saco, cai e levanta, chuta e e' arrastado pela massa inerte, num desequilíbrio de tensoes, num corpo-a-corpo voluntario, assumido, enfrentado. O corpo tomba reconfigurado, se organiza para o proximo ataque seco, se bate e ecoa,insiste, volta a tombar.

A danca acaba por encontrar suas razoes no próprio corpo, que vive as contingências, as alegrias, os sufocos e apertos do dia a dia. Pra isso temos a danca, nao como escape ou dissimulação, nao como reação ao que nao pode ser ou acontecer,ou como efeito de causas abstratas. A danca como possibilidade de existir para alem dos paradoxos, interceptando a escuridao desses nossos tempos, alimentando uma condicao unica: a de sobreviventes do sensivel numa luta continua, contra e ao mesmo tempo a favor, da banalidade da vida.

Marcelo Evelin

Sábado, Novembro 14, 2009

DIRETO DA OCUPAÇÃO NO CACILDA BECKER QUASE AO VIVO



fotos: Valerio Araujo
se me dessem um teatro eu não deixaria o coleguinha pegar no computador enquanto eu uso, assim não correria o risco de perder todas as fotos.

wilena weronez

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

videozinho colaboratório

SE ME DESSEM UM TEATRO EU TERIA DÚVIDAS

Wilena Weronez

PRONCOVÔ



Rebeca di Cuiá é uma travesti, recém-nascida, nobre e teresinense.
Sonha e sofre porque sabe como será "O Futuro da Humanidade".
Da rua onde nasceu até sua primeira aparição pública, tempo resumido em poucas horas; episódios intrigam aquela senhorita de 35 anos.
Acabara de conhecer a humanidade e já precisa enfrentar sua fúria.

Dentro do ônibus que a deixaria no centro de compras mais próximo para conferir as novidades do mundo do consumo e dar risadas e gritos por conta das coisas que optou fazer por lá, é surpreendida por uma garota, estudante de direito, que rebela-se contra a alegria e inocência de Rebeca di Cuiá e passa a exortá-la sobre as consequências que estaria sujeita, caso fizesse algum registro de sua imagem.
Isso seria intolerável.
Reflexo negativo da tecnologia ou desculpa para a discriminação.
Entenda se puder.

Na delicadeza dos seus gestos largos, desdobra-se em acalmar aquela moça certa de que o diálogo seria sua melhor atitude, pois poderia tranquilamente seguir seu destino e entre outras coisas, despertar o fetiche nalguns rapazes de corpos esculturais e cérebro deformado nas UNIBAN's, até surpreender com o preço de um calçado, custando nada menos que R$800,00, quase duas vezes o salário mínimo brasileiro, renda de grande parte do trabalhador deste país, uma significante disparidade em relação há alguns países menos desenvolvidos e um inaceitável absurdo diante de países ricos que nos rouba ao longo de séculos.

A saga termina num boteco entre conhecidos, degustando drinks e petiscos, ouvindo e dançando boa música, já envolvida nesse emaranhado chamado alienação; e como alvo dos comentários daquela gente desconhecida e incomodada com sua presença.

Calma Rebeca di Cuiá, essa é uma pequena amostra da civilização do segundo milênio d.C., século XXI, setembro de 2009.

Na estrangeira Timon, terra vizinha e margeada do lado maranhense pelo rio Parnaíba poderá ser diferente.
Carimbe seu passaporte e boa sorte na próxima aparição.

marber r.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

SE...


E se me dessem um teatro, eu sorriria, eu choraria por lembrar de um pequeno ser Ânimado e amado e me emocionaria em ouvir sua voz cantando a música da Estefanny..
Eu gritaria de felicidade por saber o resultado positivo de um edital..eu pararia e observaria, eu me perguntaria o que eu deveria e o que eu queria fazer ali, eu tentaria não sofrer e não me cobrar e não cobrar, me permitiria e permitiria, até dormiria, até beberia água, até conversaria, até correria, até bateria maculelê.
Se me dessem um teatro eu tentaria viver, conviver, sobreviver, comer, tentaria entrar sair, estar e não estar e vivenciar essas diferenças.
Se me dessem um teatro eu teria medo.
Se me dessem um teatro eu...
Se me dessem um teatro eu não sei na verdade o que faria.

wilena weronez

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

se me dessem um teatro...









(pequenos flagrantes de uma convivência)
Liberdade assusta
Conviver assusta


fizemos um acordo de não fazer propostas, não criar uma cena. reconhecer o que já se criou, o que é.
Não usar a palavra apresentação, pensar em convívio. Domingo será uma consequência disso. Pode ser uma tanto uma conversa, como uma ação, como um video.
Como disse a Bebel, um lugar para ser e estar.
Todos conectados com um mesmo foco. Conversas, alogamento, piano, balão verde, carrinho de supermercado, laptop, arquibancadas móveis...
nosso segundo dia de convivio foi difícil, estranho, ansioso. Somos muitos para poucos dias.
A partir de amanhã vamos ficar no teatro o dia todo.
As conexões aos poucos estão se estabelecendo, começando a sintonizar no mesmo canal, mas é difícil e precisa de um mínimo de tempo. Ás vezes é quase como engatinhar no escuro, com cautela e silêncio.
Assusta e é fascinante ao mesmo tempo.

Se me dessem um teatro...se botassem um monte de gente dentro, rio de janeiro com tempero de nordeste, ou piauí um pouco mais chiado.

Tô curiosa pra saber como estaremos até o final.
Se me dessem um teatro eu queria ficar nele e com ele até o último minuto.


fotos e texto:
Jana Lobo

CONTRATEMPO



Quem ou o que produz o efêmero.

O pensamento como relâmpago, sugere muita coisa.
Ganha um ovo de dinossauro quem acertar. "Quem nasceu antes o ovo ou a galinha?"
Difícil responder, já que o homem e o fato modernos são urgentes.
Perdemos muitas coisas ao longo do dia e de maneira súbita nos perdemos.
Qualidade de vida é luxo só. Em tempos de sucessivas e grandes crises vamos perdendo a capacidade de identificar nuances no tempo e acabamos por viver uma vida monocórdica onde apenas uma nota soa na música que colore nossa ação diária. Passamos a acreditar que sonho e realidade possuem a mesma textura pelo fato de não sabermos qual o momento de dormir e acordar. Morremos mais rapidamente porque a história é velozmente esquecida. Somos aviltados ao longo do dia em supermercados, na programação das tvs que invadem nossos lares, nas festas que resultam em pancadaria e morte.
Novas e desconhecidas tecnologias compõem o enredo dessa trama. Levam de um lado para outro tudo aquilo que na falta delas teríamos que, com o corpo, resolver lentamente. As circunstâncias são várias.
E tudo parece não ter importância.

O silêncio me permite ouvir ruídos na noite calma, e alerta:
O tempo pode ser outro, melhor talvez.

Renascimento. Palavra que foi e continua sendo usada com o sentido de reaproximação do homem com ele mesmo e de quebra propicia o desenvolvimento da cultura.
Ajuda a expor os sentimentos e necessidades, melhor ainda, suprí-los.
No contratempo evite assaltar do outro aquilo que lho pertence. O capital, o livre arbítrio, a liberdade, o limite, a imaginação e a integridade do corpo.

A conclusão foi sucumbida pela efemeridade.

O sorvete não pode esperar senão derrete fugazmente com o calor dos "Tristes Tropiques".
Assista uma dança que dura o tempo presente.
Perceba uma gota d'água cair da torneira ou as muitas gotas da chuva.
Leia atentamente o jornal, a revista, o romance, o outdoor ou coisa e tal.
Não coma Mc Donald's.
Coisas como estas evidenciam a pregnante idéia de perceber a vida acontecer sem que ela salte nenhum degrau para cima ou para baixo, antes do tempo exato.

marber r.